sábado, 11 de junho de 2016

Brasil vê a implosão de seu sistema político


O Brasil está passando por um terremoto. Depois de afastar temporariamente do poder a presidente Dilma Rousseff, após a abertura de um processo de impeachment no dia 12 de maio, por pedaladas fiscais, uma parte da sociedade esperava um saudável respiro para um país que se encontrava mergulhado em uma recessão histórica. Mas não foi nada disso que aconteceu.

O governo do presidente interino, Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro), está enfrentando uma sociedade ainda revoltada. A governabilidade continua frágil. E, acima de tudo, o descrédito continua a atingir uma elite política envolvida na operação Lava Jato, a investigação sobre o escândalo de corrupção ligado à estatal Petrobras.

Em menos de três semanas, o ex-vice de Rousseff, que pretendia formar um governo de “salvação nacional”, teve de dispensar dois ministros. Romero Jucá, um de seus aliados encarregados do Planejamento, caiu no dia 23 de maio após a divulgação de escutas comprometedoras onde ele aparece fazendo manobras para destituir Rousseff, esperando escapar da investigação da Lava Jato.

Depois foi a vez de Fabiano Silveira, ministro da Transparência, que renunciou no dia 31 de maio depois de ter sido pego tentando atrapalhar a investigação.

Na segunda-feira (6), o jornal “Folha de S. Paulo” revelou que o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, também seria alvo da Lava Jato.

“O sistema está apodrecendo”, comenta Laurent Vidal, historiador especializado em Brasil e Américas, professor na Universidade de La Rochelle.