quarta-feira, 22 de junho de 2016

Senado pode facilitar acesso ao leite materno


O Brasil tem o maior número de doadoras de leite materno do mundo, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, essa cobertura ainda é deficitária em algumas regiões, de acordo com a coordenadora de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Miriam Santos. Alguns estados (principalmente da Região Norte, que registra a maior taxa de mortalidade infantil do país) só dispõem de um banco de leite, na capital.

Para resolver a questão, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) analisa projeto do senador Dário Berger (PMDB-SC) que obriga todas as maternidades de referência regional a possuir bancos de leite em suas instalações. O objetivo do PLS 171/2016 é aumentar a capilaridade da rede.

Ana Clélia Martins é mãe da pequena Ana Clara, que nasceu prematura e permanece internada no Hospital Materno Infantil de Brasília há mais de dois meses. Ela destaca que o leite doado tem sido fundamental para ela e outras mães com bebês internados.— A minha bebê não teria como ingerir fórmulas e, se não fosse o leite que recebi, eu não teria como alimentá-la.

Entre os 292 bancos de leite humano do mundo — implantados em 23 países da América Latina, Península Ibérica e África —, 217 estão no Brasil. E há ainda 167 postos de coletas reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essas unidades beneficiaram, entre 2008 e 2014, 79,1% dos bebês assistidos por doações no planeta. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (Rede BLH) é fruto de uma parceria do Ministério da Saúde com a Fundação Oswaldo Cruz ( Fiocruz) e é considerada pela OMS a maior e mais complexa rede de banco de leite do planeta.

O Brasil exporta tecnologia e conhecimento de doação de leite. O país é reconhecido como referência mundial em aleitamento materno pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e pela revista científica britânicaThe Lancet.