terça-feira, 28 de junho de 2016

Viúvo se despede com beijo de médica morta a tiro no RJ


O corpo da médica Gisele Palhares Gouvêa, de 34 anos, morta a tiro numa tentativa de assalto na Linha Vermelha, na noite deste sábado, foi sepultado sob uma salva de palmas no Cemitério Jardim da Saudade de Mesquita, na Baixada Fluminense, na tarde desta segunda-feira. Antes de o caixão ser fechado para ser colocado no carro da funerária, o cirurgião plástico Renato Palhares deu um úlltimo beijo na mulher.

– Cadê os Direitos Humanos agora? Vamos pensar nisso. Gente, vocês da imprensa têm um papel importante. Vocês têm que divulgar e a gente tem que parar o Rio de Janeiro. Com essa violência não dá mais. Hoje foi minha esposa, mas amanhã pode ser algum de vocês. Minha esposa era um anjo. Acho que Deus a levou porque ela era acima de boa. Ela conheceu Jesus Cristo. Ela era de Nova Iguaçu e gostava justamente de atender as pessoas do lugar onde foi criada – desabafou ele, após o enterro.

Ele ainda falou sobre o que considera prioridade para o Rio:

– A primeira coisa é segurança. Não adianta fazer Olimpíada se a gente não consegue passar na Linha Vermelha nem na Linha Amarela. E o segundo é que a imprensa cobre as autoridades. Espero isso do fundo do coração. Ela (Gisele) deixou amor, ela gostava de tratar de bondade. Não tenho palavras para dizer o que ela representava.

No cemitério, alguns estavam com cartazes atribuídos ao “Movimento Vila Gisele”. “Doutora Gisele, os órfãos que aqui ficaram não descansarão até que a paz volte a viver entre as pessoas do bem. Sua luta não será esquecida. Lutaremos pela paz e realização de seus sonhos”.

– Nasce agora o movimento pela paz. Gisele pela paz. Gisele contra a morte dos policiais no Rio. Não podemos nos abater sob pena de vivermos encurralados em casa. Não podemos perder nossos amigos e nossos irmãos. A partir de hoje teremos o site “Gisele pela paz” – disse Ornisson Fernandes, amigo da vítima.