quarta-feira, 20 de julho de 2016

Anitta, Wesley Safadão e Ludmilla na abertura das Olimpíadas? Mais um “gol da Alemanha”...


Já faz algum tempo que o Brasil se transformou em chacota mundial. Acostume-se. A coisa chegou a um nível tão ridículo que tem até uma frase emblemática, a mesma que permeou a narração de um desanimado e incrédulo Galvão Bueno naquele fatídico jogo da seleção brasileira – sim, em minúsculas mesmo – na última Copa: “gol da Alemanha”.

É claro que nosso País está tão desgraçado que mesmo quando pensamos estar já no fundo do poço, conseguimos cavar mais alguns metros em direção ao centro da Terra. Fiquei pensando nisso quando recebi a notícia de que a cerimônia de abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro terá presenças de “altíssimo” nível na parte musical: Anitta, Wesley Safadão, Ludmilla. 

É claro que uma escalação desse naipe transforma a possibilidade de sairmos desse evento com uma imagem melhorada ser próxima do zero. Seria um bom exemplo se o Comitê Olímpico viesse a público pedir desculpas pela escolha desses pseudoartistas antes da realização da cerimônia, mas é claro que isso jamais irá acontecer.

Tão relevantes em termos musicais quanto uma tigela de pistache podre, os três são apenas os reflexos de uma postura desorganizada e equivocada de quem foi contratado para organizar essa bagunça. Somados os motivos que fariam você sair de casa para assistir ao evento, não encheriam uma colher de chá.

A escolha desses três personagens da vertente mais grotesca da música brasileira é mais um “gol da Alemanha” que faz com que a gente perca a fé de que uma mudança radical na maneira de pensar o Brasil passe pela área musical. Mesmo que nos últimos anos as novas gerações de consumidores de música não tenham demonstrado a menor intenção de se afastar da presença maligna das grandes mídias – TVs, rádios e a própria internet – no processo de emburrecimento generalizado que assola o Brasil, ainda dá para dizer que há muita gente concentrando seus esforços em reconquistar o mercado nacional com um trabalho musical de alta qualidade. Basta acompanhar a série “A música brasileira vai mal? Você que pensa…”, que venho escrevendo aqui no Yahoo há algum tempo. Só que Isso não é o suficiente para vencer a força destruidora da maldição cultural que cerca o Brasil nos últimos anos.

Sei que este artigo não vai mudar em nada o que irá acontecer na cerimônia de abertura das Olimpíadas, muito menos deter a vertiginosa descida aos pântanos da ignorância que nosso País abraça com a alegria dos bovinos descerebrados. Só quero deixar registrado que não serei cúmplice do que irá acontecer. E você?

Régis Tadeu