segunda-feira, 4 de julho de 2016

“Lula só não se candidatará em 2018 se estiver preso ou morto”


El País

Em um pequeno quarto do térreo de um convento, Carlos Alberto Libânio, de 71 anos, mais conhecido como Frei Betto, guarda exemplares de seus livros. Escreveu mais de 50. O último, uma conversa com Fidel Castro. Frade dominicano, estudioso, ativista, ex-ministro da primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, teórico da esquerda, mas também experiente em movimentos sociais, Frei Betto é uma espécie de consciência crítica do Partido dos Trabalhadores (PT). Conheceu Lula na juventude de ambos, quando dividiam quartos improvisados nos tempos da criação do partido e da quase clandestinidade. Agora, repreende Lula por não ter renunciado a um modo de vida luxuoso demais para ser um exemplo e o partido por não ter realizado tudo o que, na sua avaliação, se propunha nos seus primórdios. Ele, por sua vez, continua vivendo austeramente em um convento de São Paulo, alérgico a qualquer bem material, argumentando que o ambientalismo trará, por fim, essa esperada sociedade mais justa.

P. O senhor acredita que Lula vai voltar?

R. Não é que eu acredite. Eu tenho certeza. Lula só não será candidato se estiver morto ou se estiver preso. Eu o conheço bem.

P. Há quem pense que está desiludido desde a saída de Dilma…

R. Lula é um gênio da política. Agora que a Operação Lava-Jato dá as cartas da política brasileira, convém para ele não sobressair muito. Convém deixar Temer se desgastar.