terça-feira, 5 de julho de 2016

Pó de carvão mata 23.000 por ano na União Européia


O pó originado em usinas de energia movidas a carvão na União Europeia penetra nos pulmões, provocando cerca de 23.000 mortes por ano, e consumindo dezenas de bilhões de euros em gastos de saúde, segundo um relatório de uma ONG divulgado na última semana. Embora a UE avance em direção às energias renováveis, como a eólica e a solar, o carvão foi responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa do bloco em 2014, e correspondeu a um quarto da eletricidade gerada no bloco em 2015, de acordo com o documento.

As emissões de 257 usinas, sobre as quais havia dados disponíveis, “estiveram associadas com 22.900 mortes prematuras em 2013″, disse o relatório, intitulado “Nuvem escura da Europa: como países que queimam carvão deixam seus vizinhos doentes”.

Há um total de 280 usinas movidas a carvão no bloco.

O estudo foi realizado por pesquisadores de quatro grupos de lobby de energias verdes: Health and Environment Alliance, WWF, Climate Action Network Europe e Sandbag.

Além das mortes, o relatório culpou a poluição das usinas de carvão por cerca de 12.000 novos casos de bronquite crônica e mais de meio milhão de ataques de asma em crianças na UE em 2013. Os “gastos substanciais” com tratamentos médicos e com a redução da produtividade causada pela ausência do trabalho foram de entre 32,4 e 62,3 bilhões de euros, segundo o relatório.

Cerca de 83% das mortes (aproximadamente 19.000) foram atribuídas à inalação de partículas tão pequenas – menos de 2,5 micrômetros de diâmetro – que podem entrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea.

“As causas de morte mais comuns ligadas à exposição de partículas são acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas, doença pulmonar crônica e câncer de pulmão”, afirma o relatório.

O texto alerta que as partículas viajam “por centenas de quilômetros e cruzam as fronteiras nacionais, afetando a saúde das pessoas dentro e fora do país de produção”.

O relatório lista os piores infratores da UE, atribuindo 4.690 mortes prematuras a usinas elétricas a carvão da Polônia, 2.490 à Alemanha, 1.660 à Romênia, 1.390 à Bulgária e 1.350 à Grã-Bretanha.

Os cinco países mais afetados pela poluição foram a Alemanha, com 3.630 mortes, Itália, com 1.610, França, com 1.380, Grécia, com 1.050, e Hungria, com 700.

“A poluição do ar é responsável por milhões de mortes em todo o mundo”, disse Roberto Bertollini, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a UE, em um comunicado.

“O aumento das temperaturas, devido às mudanças climáticas, vai agravar o problema”, completou.

Um estudo similar feito nos Estados Unidos atribuiu mais de 13.000 mortes prematuras à poluição do carvão, enquanto uma pesquisa da Índia responsabilizou o carvão por 115.000 mortes prematuras e 20 milhões de casos de asma por ano.

Em Paris, em dezembro passado, 195 nações concordaram em reduzir as emissões de gases do efeito estufa provenientes de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás, em uma tentativa de limitar o aquecimento global “bem abaixo” de 2º Celsius em relação aos níveis pré-industriais.