quinta-feira, 21 de julho de 2016

Principal torneio amador do estado, Matutão está de volta após 21 anos


O ano era 1986. A Seleção de Elói de Souza vencia a Seleção de Campo Redondo por 3 a 2, pela fase final do Campeonato Matutão daquele ano. O palco da partida era o estádio Beira-Rio, na cidade de Senador Elói de Souza, região Trairi do estado. Casa cheia. Torcida inflamada. Jogo pegado. Todos os ingredientes que uma grande partida de futebol precisa.

Aos 42 minutos do segundo tempo, Francinaldo Bezerra Costa, um dos principais jogadores do time mandante, chega forte em um atleta da equipe visitante. O resultado: uma confusão generalizada dentro de campo que envolveu praticamente todos os jogadores e acabou com uma parte deles expulsos.

O causo é apenas um das várias histórias que marcaram o Matutão, principal torneio amador do estado, sobretudo, nas décadas de 1970 e 1980. Durante 26 anos seguidos, o campeonato de pouco requinte debutou entre os campos de várzea do estado a essência do que é o futebol, além de revelar grandes craques, como Didi, conhecido por Didigol; Zinho, ex-ABC; e Souza, ex-América.

Sem o glamour dos tempos atuais, o Matutão prezava mais pelo fomento das rivalidades entre equipes de cidades vizinhas do que propriamente pela qualidade do jogo. E era essa rivalidade que tornava especial o campeonato, fazendo com que as torcidas lotassem os estádios e os jogadores doassem o próprio sangue para honrar a camisa das equipes que defendiam.

Para se ter ideia do valor dado ao Matutão, em 1974, quando já havia atingido o auge da carreira vestindo a camisa 6 do Botafogo e da Seleção Brasileira, o lateral-esquerdo Marinho Chagas interrompeu as férias em Natal para vestir a camisa do São Sebastião de Nova Cruz e disputar o campeonato. Marinho entrou em campo pelo Alvinegro, marcou um gol e colocou seu nome na história do torneio.

A última edição do Matutão, porém, aconteceu em 1994, quando o campeonato entrava em declínio. O título derradeiro ficou com a Seleção de Santa Maria e uma lacuna foi aberta no esporte amador potiguar.

Todavia, passados 21 anos, o Matutão está prestes a retornar. Está marcada para o dia 28 de agosto a primeira rodada do torneio. O local da primeira partida ainda não está definido porque os times podem se inscrever até agosto. Pelo mesmo motivo, ainda não há a tabela definitiva.

Até o momento, 28 equipes já se inscreveram na competição, que terá a primeira fase disputada em em grupos. As melhores equipes de cada chave se classificam para a fase seguinte, que será disputada no formato mata-mata. A grande decisão acontecerá em partida única, em local ainda não definido.

Apenas jogadores acima de 16 anos podem ser inscritos no campeonato. Não há restrição sobre o número de atletas que cada equipe pode contar em seu plantel.

Para o organizador da edição deste ano do campeonato, Francinaldo Bezerra Costa, ex-jogador da Seleção de Elói de Souza e causador da confusão em 1986 durante partida contra a Seleção de Campo Redondo, o retorno do Matutão representa o resgate da paixão do torcedor potiguar pelo futebol amador. “Logo nas primeiras conversas sobre a possível volta do Matutão, vários clubes mostraram interesse em participar do torneio. As pessoas, principalmente no interior, sentem falta de campeonatos assim”, conta.

A expectativa é de que a final do campeonato seja disputada antes do fim do ano. Para 2017, a organização prevê, além do campeonato para adultos, a criação de torneios sub-15 e sub-17. “Vai ser uma forma de fomentar o desenvolvimento do futebol desde a categoria de base. O nosso estado tem um grande potencial para revelar atletas, faltam eles serem vistos”, afirmou Francinaldo.

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