segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Futebol masculino frustra e feminino vira xodó

O grito “Marta é melhor que Neymar” resume o ânimo da torcida brasileira sobre o futebol nos Jogos Rio 2016: entusiasmo com o time feminino e frustração com o masculino.

Depois do segundo empate consecutivo em 0 x 0 no torneio olímpico, contra o Iraque na noite de domingo, a seleção liderada por Neymar foi mais uma vez vaiada no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

O mais visado foi o meia Renato Augusto, um dos três jogadores com mais de 23 anos convocado pelo técnico Rogério Micale para a disputa dos Jogos do Rio.

“Futebol tem disso, o torcedor é muito emotivo… Quando os torcedores começaram a vaiar, no começo do segundo tempo, o time caiu um pouco”, disse Renato Augusto a jornalistas após a partida.

Com dois pontos em duas partidas, a seleção precisa agora de uma vitória contra a Dinamarca no último jogo da fase de grupos, em Salvador, para não depender de outros resultados e se classificar para a próxima fase e manter viva a possibilidade de conquistar o inédito ouro olímpico.

“Carinho da torcida”

“Nesse momento vai ser muito importante ter a torcida do nosso lado”, avisou o meia-atacante, após vaias nos dois primeiros confrontos, ambos em Brasília.


Em um jogo com quase 66 mil pessoas no Mané Garrincha, a seleção viu a torcida gritar o nome do adversário ao final, em mais um revés do futebol em casa, depois da Copa do Mundo de 2014, que incluiu o desastroso 7 x 1 para a Alemanha na semifinal.

A torcida também gritou o nome de Marta, líder de uma equipe que tem encantado o público na Rio 2016, com duas vitórias até agora -3 x 0 sobre a China e 5 x 1 contra a Suécia.

As duas partidas foram disputadas no Engenhão, no Rio, onde a torcida gritou “Marta é melhor que Neymar”, em comparação rejeitada pela brasileira eleita por cinco vezes a melhor jogadora do mundo e também pelo técnico do time feminino, Oswaldo Alvarez, o Vadão.

“Marta é Marta e Neymar é Neymar”, declarou ele após a estreia diante das chinesas.

Mas a torcida quer mesmo é comparar o time que encanta pela forma ofensiva e vibrante que joga com o outro, formado pelo badalado ataque Neymar, Gabriel e Gabriel Jesus, que tem tropeçado.

“Acredito que o time feminino tem apresentado um futebol parecido com o que a gente sempre admirou, enquanto o masculino não se encontra em campo”, disse o administrador Airton Pereira, no Parque Olímpico do Rio.

Assim como os homens, as mulheres buscam o primeiro ouro olímpico, e o foco, desta vez, está nelas.

“É tradição do Brasil dar prioridade ao futebol masculino, mas aqui tem sido diferente. As mulheres estão tendo um desempenho melhor e merecem o carinho da torcida”, afirmou o médico Cássio Yoshimoto, para quem a fama e dinheiro dos jogadores brasileiros pesam contra eles.

“Pelo fato de serem profissionais com bom salário, a cobrança é muito maior”, acrescentou.
Reuters