sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dilma prepara mudança para Porto Alegre e PT organiza recepção


A presidente cassada Dilma Rousseff prepara sua mudança para Porto Alegre (RS) no próximo domingo. Dilma será recepcionada por militantes do PT e de movimentos sociais na saída do Palácio da Alvorada e também na capital gaúcha. A manifestação de apoio está sendo organizada pela Frente Brasil Popular, que levará carros de som para acompanhar o trajeto de volta da petista desde o aeroporto, na capital gaúcha, até o apartamento dela, no bairro Tristeza.

No primeiro dia após a decisão do Senado, que lhe tirou o mandato, Dilma acordou cedo, como de costume, e andou de bicicleta por 50 minutos, nos arredores do Alvorada. Começou a encaixotar seus livros e não admite que ninguém mexa neles nem a ajude na tarefa. Até agora, ela tinha levado poucas coisas para o apartamento de Porto Alegre, mas se preocupou em instalar ali equipamentos de ginástica.

Diante de tantos cuidados, auxiliares temem que a mudança atrase. Embora Dilma tenha 30 dias para deixar o Alvorada, ela quer deixar a residência oficial antes do presidente Michel Temer retornar da viagem à China, para onde ele viajou com o objetivo de participar da Cúpula do G-20. A chegada de Temer está prevista para terça-feira.

Dilma tem recebido telefonemas de solidariedade desde quarta-feira, quando perdeu o mandato. Na lista dos que ligaram está o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Após o impeachment, Maduro classificou o processo como um “golpe oligárquico de direita” e disse que o país vizinho congelará as as relações com o governo brasileiro. Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou que “o Brasil chamou de volta o embaixador na Venezuela (Ruy Pereira), porque eles fizeram o mesmo”.


Antes mesmo do impeachment, Dilma já havia recebido vários convites de editoras para contar os bastidores da crise política que a derrubou. Além disso, foi chamada para dar palestras até nos Estados Unidos sobre o cerco ao Planalto e o confronto com o Congresso.

Sua intenção, por enquanto, é ficar no Brasil. Depois de algum tempo, porém, ela pretende viajar para países da América Latina, como Chile e Uruguai. No seu périplo, promete levar na bagagem a denúncia do “golpe”, que não sai de seu repertório desde que o então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — hoje prestes a perder o mandato — aceitou o pedido para sua deposição.

Amigos da presidente disseram ao Estado que ela também fará um roteiro para ajudar a divulgar o livro “A Resistência Internacional ao Golpe de 2016”, que tem entre seus autores juristas, professores de economia e artistas.