quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Vaticano canoniza madre Teresa de Calcutá no domingo


O Vaticano vai canonizar no domingo (4) a beata madre Teresa de Calcutá, depois de ter reconhecido, após vários anos de investigação, a ´cura extraordinária´, em 2008, de um engenheiro brasileiro com múltiplos tumores no cérebro.

As cerimônias de canonização, decretada pelo papa Francisco a 15 de março, vão decorrer na praça de São Pedro, a partir das 10:30 (5:30 em Brasília), um dia antes do 19.º aniversário da morte de Teresa de Calcutá, fundadora da Ordem das Missionárias da Caridade.

A aprovação pelo Papa do segundo milagre encerrou o processo que levou à beatificação em 19 de outubro de 2003, durante o pontificado de João Paulo II, para quem Teresa de Calcutá era a ´incansável benfeitora da humanidade´.

A canonização equivale ao reconhecimento oficial pela Igreja de que a pessoa está no paraíso, sendo necessário que, depois da morte, esteja na origem de dois milagres, um para a beatificação e o segundo para a canonização, sinais da proximidade com Deus.

Para as Missionárias da Caridades, a religiosa indiana já era santa desde o dia em que morreu, a 05 de setembro de 1997.


´A canonização nada muda, mas é uma aceitação oficial da Igreja e isso dá esperança´, afirmou a irmã Martin de Porres, de 76 anos. De aspecto frágil, envolta num sari branco com três riscas azuis, mas tenaz e pragmática, madre Teresa tornou-se num símbolo da ajuda aos ´mais pobres dos pobres´, aos quais dedicou a vida. O seu compromisso incansável foi distinguido com o prêmio Nobel da Paz em 1979.

Nascida a 26 de agosto de 1910 numa família albanesa em Skopje (Macedônia), Agnes Gonxha Bojaxhiu entrou aos 18 anos na ordem das irmãs de Nossa Senhora do Loreto em Dublin (Irlanda), onde tomou o nome de Teresa, em homenagem a Santa Teresa de Lisieux.

Enviada para Calcutá, ensinou durante alguns anos numa escola para meninas de famílias abastadas, antes de receber ´o apelo no apelo´, uma vocação para servir Deus através dos mais pobres.

No início de 1948, instalou-se num bairro de lata de Calcutá para tratar e ensinar. Antigas alunas juntaram-se à professora, tornando-se com ela nas primeiras Missionárias da Caridade.

Em 1952, o encontro com uma mulher moribunda num passeio de Calcutá levou Teresa a conseguir, junto das autoridades da cidade, um velho edifício para receber doentes terminais que os hospitais já não queriam cuidar.

Em seguida, abriu um orfanato, Sishu Bhavan, e depois uma leprosaria, em Shantinagar. Atualmente, cerca de cinco mil Missionárias da Caridade, estão presentes em todo o mundo, sempre com o mesmo modo de vida austero.

Teresa morreu na casa-mãe da congregação, em Calcutá, em 1997, com 87 anos. O túmulo encontra-se no local e todos os dias é decorado com uma palavra escrita com pétalas de flores.

O Papa João Paulo II admirava a religiosa, enquanto Francisco, que a encontrou em 1994, em Roma, contou ter ficado impressionado pela determinação de ferro dela.´Teria medo se ela fosse a minha superiora´, disse então o atual pontífice.

Madre Teresa também conheceu alguns detratores, que a acusaram de ter se mostrado pouco preocupada em relação à origem das dádivas recebidas e de se ter mantido intransigentemente contra a contracepção e o aborto, respeitando a linha da Igreja, mas sem olhar para as famílias que viviam na miséria.

O processo canônico que levou à beatificação de Teresa de Calcutá mostrou, através de excertos da correspondência pessoal, o sofrimento relativamente à fé durante a maior parte da sua vida e que a levou, por vezes, a duvidar da existência de Deus.

´Jesus tem um amor muito especial por vós. Para mim, o silêncio e o vazio são tão marcantes que olho e não vejo, que escuto e não ouço´, escreveu em 1979 a um confessor. Em 2003, cerca de 300 mil fiéis assistiram às celebrações de beatificação na praça de São Pedro.