segunda-feira, 17 de outubro de 2016

De algo sórdido


Por Honório de Medeiros

Ao longo dos séculos o avanço do processo civilizatório se caracteriza, dentre outras conquistas, por rechaçarmos a sordidez. Falo em reagirmos, por exemplo, ao preconceito, algo sórdido em si mesmo.

Claro que não todos.

Mas o processo é assim mesmo, um vir-a-ser pleno de obstáculos. Para não deixar dúvida: os dicionários dizem que sordidez é grande sujeira, imundície. E, por metáfora, ambiente de degeneração moral.

Não tenho muita esperança em sermos, individualmente, lúcidos quanto a perceber e denunciar a sordidez, em todos seus matizes, tão logo a identifiquemos.

Às vezes estamos de tal formas submersos na lama que somos incapazes de nos dar conta daquilo que acontece ao nosso lado. Somos ou estamos alienados, por assim dizer.

Ou, por outra, sabemos que algo está acontecendo, pensamos que é sórdido, mas nos dizemos que não é conosco, é algo muito distante, passageiro, há outras questões mais importantes com as quais se preocupar, e assim por diante…

Então, é tarde demais.

Por exemplo: que tipo de “música” nossos adolescentes estão escutando, dançando, cantando? Prepare-se, você terá uma surpresa. Um grande sucesso entre eles é de autoria da Mc Carol.

Esse “Mc” que antecede o nome da funkeira carioca, sim, nós estamos falando de funk, significa “mestre de cerimônia”, e é como se fosse um título nobiliárquico.

Pois bem, e continuando: um dos grandes sucessos do funk nacional, é da autoria de Mc Carol. Título: “Liga pra SAMU”.

O estribilho da “música” é o seguinte: “Liga pra SAMU / Liga pra SAMU / Ela quis transar com três / Deu hemorragia no c..”

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN