quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desrespeito aos direitos humanos zera redação do Enem


Expor uma ideia, argumentar sob um ponto de vista e propor uma intervenção para o problema social apresentado são as exigências básicas na produção de uma redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cada vez mais exigente, a prova não quer somente uma mera apresentação de ideias, mas a elaboração de uma proposta de mudança da situação que também respeite os direitos humanos.

Para a edição do vestibular deste ano, o Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo exame, reformulou as cartilhas de redação dos anos de 2012 e 2013, inserindo novas informações, como a obrigatoriedade do novo acordo ortográfico, explicações mais específicas sobre a questão dos direitos fundamentais e uma melhor caracterização de fuga do tema proposto, utilizando exemplos de erros cometidos pelos participantes em edições anteriores.

Conforme o novo manual, essas informações foram adicionadas porque os temas da redação começaram a levantar maiores discussões sobre os direitos humanos, principalmente em 2014 e 2015, quando foram abordadas a publicidade infantil e a violência contra a mulher no país.

No último exame, quase 10 mil redações foram anuladas por desrespeitarem os direitos humanos. A atual cartilha do Inep traz exemplos de frases que levaram à nota zero por não proporem soluções de acordo com os princípios. Os candidatos sugeriram, por exemplo, que os violentadores de mulheres fossem “massacrados na cadeia” e que “deveriam ser castrados”. Segundo o manual, a pena foi aplicada porque os alunos defenderam a “justiça com as próprias mãos” e não atribuíram o papel da punição ao Estado.

O respeito aos direitos fundamentais passou a ser obrigatório no Enem de 2013, um ano após a publicação das Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos. A publicação foi uma parceria entre a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e o Ministério da Educação (MEC) para orientar as escolas a promoverem a prática de ensino dos princípios da dignidade humana, da igualdade de direitos, do reconhecimento e da valorização das diferenças. Além disso, determina que sejam observadas a laicidade do Estado, a democracia, a sustentabilidade socioambiental, entre outros.