quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Governo negocia cargos no BB e na Caixa para aprovação da PEC dos gastos públicos


Josias de Souza

Em meio aos preparativos para apreciar na Câmara, em segundo turno, a emenda do teto de gastos, o Planalto intensifica o movimento do balcão. Depois de amealhar retumbantes 366 votos na primeira rodada de votação (‘toma lá’), o governo levará ao Diário Oficial uma leva de nomeações (‘dá cá’). A mercadoria é fina. Inclui até mesmo poltronas no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Alega-se os escolhidos exibem qualificação técnica para o exercício das funções. Hã, hã…

O engenheiro Paulo Roberto Costa, primeiro delator premiado da Lava Jato, também preenchia os requisitos técnicos quando Lula permitiu que o PP se apoderasse da alma dele para fazer negócios na Petrobras. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o próprio Paulo Roberto resumiu a metamorfose que o transformou de funcionário exemplar em corrupto confesso:

“Eu trabalhei na Petrobras por 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos. Se houve erro —e houve, não é?— foi a partir da minha entrada na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político, […] que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia.”

Quer dizer: os apadrinhados dos partidos políticos devem obediência aos padrinhos, não aos contribuintes que lhes pagam o salário. Ao repetir a fórmula que transformou Lula e Dilma em fiapos políticos, Temer se arrisca a plantar agora escândalos que florescerão nos arredores de 2018. Temer já pode ensaiar o discurso defronte do espelho: “Eu não sabia”.