segunda-feira, 7 de novembro de 2016

MPF do Ceará pede suspensão da redação do Enem 2016

O Ministério Público Federal no Ceará protocolou, no início da noite desta segunda-feira (7), uma ação pedindo a anulação da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizada neste domingo (6), por causa do vazamento do tema da redação. Segundo o “Uol”, a ação se baseia na operação da PF (Polícia Federal) que deflagrou duas operações para reprimir fraudes no Enem, a Operação Desmonte e a Operação Jogo Limpo.

A Polícia no Ceará identificou que um dos candidatos detidos no domingo sabia o tema da redação antes do início da prova. Para o procurador Oscar Costa Filho, do MPF-CE, a versão apresentada pelo Inep, órgão federal responsável pelo Enem, não tem sentido. “A operação da PF desmente a versão oficial do Inep dizendo que foi uma coincidência. Essa versão não se sustenta com as provas apresentadas, e a redação deve ser anulada em todo o país”, afirmou ele.

O tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) aplicado neste domingo é igual ao de uma prova falsa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) em uma rede social no passado. O tema da prova deste ano “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil” aparecia em uma imagem de outubro de 2015 usada pelo órgão público para desmentir um boato de que a prova do Enem daquele ano havia sido vazada.

“O fato de a prova falsa divulgada às vésperas do Enem 2015 ter se baseado no mesmo estudo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ainda que com um recorte diferente, não pode ser tido como uma mera coincidência de assuntos”, argumentou o procurador.

Em Fortaleza, a polícia encontrou no bolso de um homem de 34 anos o tema e o texto da redação pronto para ser transcrito. Ele recebeu o gabarito pelo celular e usou também um ponto eletrônico na sala do exame. Em depoimento dado na sede da superintendência do órgão em Fortaleza, o candidato se identificou como secretário da saúde de um município do Ceará. Ele poderá responder na Justiça Federal pelos crimes contra a fé pública, o patrimônio e a paz pública.

A PF deflagrou duas operações para reprimir fraudes no exame: a Operação Jogo Limpo, nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Tocantins, Amapá e Pará e a Operação Embuste, em Minas Gerais.