domingo, 6 de novembro de 2016

Para Lula, o Brasil é governado por Washington


Lula está cismado. “Não sei se tudo o que está acontecendo hoje no Brasil é determinado aqui dentro do Brasil”, disse ele neste sábado, ao discursar num ato em solidariedade ao MST, que teve uma escola invadida de forma esquisita pela polícia do governador tucano Geraldo Alckmin, em Guararema, interior de São Paulo. “Confesso a vocês que eu não sou muito de acreditar na teoria da conspiracão, mas ela existe. E tem muita coisa estranha acontecendo…”

O pajé do PT soou como se estivesse convencido de que o Brasil é controlado numa sala qualquer de um prédio público de Washington. Para ele, os Estados Unidos passaram a se meter no nosso futuro no momento em que o Brasil decidiu “virar protagonista internacional”, superando um “complexo de vira-latas” que nascera com a chegada das caravelas.

Se Lula estiver certo, foram os controladores da sala de Washington que decidiram que Dilma não era a pessoa certa para a tarefa no Brasil. E escolheram dois caras do PMDB para seguir o programa deles. “Eu acho que tem muita coisa que tá acontecendo e, na minha opinião, não é da cabeça do Michel Temer, não é da cabeça do Eduardo Cunha”, disse Lula à platéia companheira que compareceu ao ato de solidariedade ao MST. “Eu acho que tem muito mais nêgo se metendo.”

O que aborreceu o Império, disse Lula, foi a política internacional do seu governo, que priorizou as relações do Brasil com a África e a América Latina. A aproximação com o Irã entornou o caldo. E a descoberta do pré-sal acendeu o pavio: “…depois que nós anunciamos o pré-sal, em 2007, eles renovaram a 4ª Frota Americana, para tomar conta do Atlântico.”
Lula contou que o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez ajudou a abrir-lhe os olhos: “O Chávez era professor da academia militar lá na Venezuela. Ele me dizia: ‘Lula, as aulas que eu dava para os militares na Venezuela era para dizer, alto e bom som, que o Brasil era o império, o Brasil era o inimigo. Isso era orientação de quem? Do Império (EUA), para não permitir que o Brasil se metessse a ter uma relação, eu diria, privilegiada com os continentes (sic) da América do Sul.”

A sala de controle de Washington está em festa. Lula insinua que, sob Temer, o governo brasileiro já não tem o menor escrúpulo de seguir as ordens com fidelidade canina. “Eles agora falam mal do Mercosul”, lamentou Lula. “…O Mercosul não vale nada. A relação com a África não vale nada. O que os africanos têm pra vender pra nós? O que eles podem comprar da gente? Nós temos é que ficar lambendo a bota dos Estados Unidos e a bota dos países da Europa.”

Bons tempos aqueles em que Lula colocava Barack Obama no seu devido lugar: “Não esqueço nunca o dia que o Obama me ligou do avião dele, preocupado porque tinha uma notícia no jornal que aqui neste país tinha um cientista que estava falando de bomba atômica. E o Obama, preocupado: ‘Presidente Lula, —eu não entendia nada, tinha tradutor, obviamente— ‘estou aqui, no Força Aérea One. E estou indo não sei pra onde. E quero hablar contigo.”