quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Pacto fiscal único para Estados é ‘difícil de aplicar’, diz governador do RN


Folha – Depois de o Nordeste reagir ao pacote de medidas de ajuste fiscal proposto pelo governo federal, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, defendeu nesta quarta-feira (30) ações “regionalizadas” e disse que é “difícil de aplicar” um pacto único para todos os Estados do país.

“Existem vários ‘Brasis’. Não podem adotar medidas iguais para Santa Catarina, Paraná, que são Estados ricos, e Rio Grande do Norte ou Paraíba. É preciso fazer adequações de acordo com o regionalismo. Não pode ter uma receita de bolo igual para todos os Estados. O importante é que cada um atenda metas necessárias para que o Estado fique dentro de um padrão interessante do ajuste fiscal que o governo federal quer”, defendeu.

Depois de reunião com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, Faria declarou que houve um “equívoco” nesta semana e que os governadores da região não se posicionaram contra medidas de austeridade propostas pela União.

Na semana passada, o presidente Michel Temer acordou com governadores a liberação de mais de R$ 5 bilhões referentes à multa do programa de regularização de recursos ao exterior. Em troca, o governo exige que os Estados adotem medidas de controle de ajuste fiscal.

O governador Robinson Faria declarou nesta quarta, no entanto, que houve um “equívoco” e que, na verdade, os Estados nordestinos não se posicionaram contra a proposta de ajuste fiscal. “Expliquei ao ministro Meirelles que não houve divergência, não houve contradição ou sentimento do Nordeste de não cumprir as metas, muito pelo contrário. O Nordeste é quem mais precisa de apoio hoje. Jamais iríamos ser irresponsáveis para não cumprir metas para poder ter contrapartida do governo federal de apoio a operação de crédito”, disse.

Segundo Faria, houve “má interpretação” de que o Nordeste estava “divergindo” ou “querendo dar um grito de independência”. Ficou acertado com Meirelles, segundo ele, que o Nordeste elegerá um representante para falar em nome dos nove estados com o governo federal e “esclarecer tudo que aconteceu”.