Após morte de torcedor, MP diz que pedirá interdição do estádio de São Januário - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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10/07/2017

Após morte de torcedor, MP diz que pedirá interdição do estádio de São Januário


A violência dentro e fora do estádio de São Januário na noite de sábado (8), durante clássico contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, pode custar caro para o clube do Vasco da Gama. Além das punições previstas pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva, o clube vai ter de lidar com uma denúncia do Ministério Público. De acordo com o promotor de Justiça Rodrigo Terra, o MP vai pedir a interdição do estádio até que o clube apresente os planos de ação do jogo.

"O Ministério Público já tem uma ação para que os clubes adotem os planos de ação para o jogo, que é uma preparação estratégica para lidar com esse grande evento, que eles são remunerados para organizar. O que foi feito foi um pedido de torcida única, até que apresentassem os planos de ação para o jogo. Não apresentaram o plano de ação para o jogo, a justiça cassou a medida da torcida única e agora nós faremos um novo pedido, dentro desta mesma ação, para que os planos de ação sejam apresentados, e até que isso aconteça, o estádio fique interditado.", destaca o promotor.

Ainda no intervalo do primeiro para o segundo tempo, torcedores do Vasco próximos à corda de proteção que dividia as duas torcidas, lançavam garrafas e objetos na torcida rival. A Polícia Militar lançou spray de pimenta para conter os torcedores. O clima piorou no fim da partida com a vitória do Flamengo por 1 a 0. Torcedores vascaínos passaram a jogar objetos no gramado e alguns ameaçaram invadir o campo. Durante a confusão, a Polícia Militar atirou bombas de efeito moral em direção às arquibancadas para dispersar os mais agressivos.

Fora do estádio, grupos de torcedores do Vasco atacaram os militares com garrafas e pedras. Durante a confusão, um torcedor foi atingido por um tiro e morreu. O torcedor vascaíno foi levado para o Hospital Souza Aguiar, onde já chegou sem vida. Além dele, outros dois torcedores deram entrada com ferimentos à bala, ambos nas pernas, e estão fora de risco. Um quarto torcedor foi recebido com ferimentos provocados por estilhaços de vidro.

A torcida do Flamengo foi mantida dentro do estádio por quase duas horas depois do fim da partida e só foi liberada depois que a situação se tranquilizou. As ruas do entorno ficaram repletas de cacos de vidro, pedras, cartuchos de munição e bombas de efeito moral já utilizadas.

Na manhã deste domingo (9), o irmão do torcedor David Rocha Lopes, foi até o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, para reconhecer o corpo do irmão David Rocha Lopes, de 27 anos. A família negou que ele fizesse parte de torcida organizada.

"A gente recebeu a notícia pelo WhatsApp. A minha mãe tá muito mal em casa. Cheguei aqui de madrugada pra reconhecer o corpo do meu irmão. Até agora ninguém da polícia veio falar nada com a gente", contou Carlos

A questão da violência nos estádios do Rio foi parar na Justiça em fevereiro desse ano, quando o torcedor do Botafogo Diego da Silva Santos morreu durante uma briga no Engenhão antes do jogo do Botafogo e Flamengo. Na época, um juiz concedeu uma liminar ao Ministério Público que pedia torcida única nas partidas dos quatro grandes clubes do Rio. A Federação de Futebol carioca recorreu e venceu. No dia 27 de junho, a Justiça decidiu manter torcida mista após um novo recurso do MP.