Em meio a impasse, anúncio da revisão da meta fiscal é adiado novamente - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

NOVAS

14/08/2017

Em meio a impasse, anúncio da revisão da meta fiscal é adiado novamente


Esperado para hoje, o anúncio das novas metas fiscais para 2017 e 2018 foi adiado novamente. A equipe econômica quer ter nas mãos o número mais exato possível para evitar qualquer necessidade de novas mudanças. Técnicos da Receita Federal e do Tesouro Nacional devem se reunir nesta tarde para discutir quais serão os novos objetivos e as medidas que serão necessárias para atingi-los.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está neste momento na sede da pasta, onde deve se reunir com sua equipe para rediscutir os números. Mais cedo, ele e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, participaram de reunião com o presidente Michel Temer e outros ministros. O encontro durou mais de quatro horas. Já no meio da tarde, os dois retornaram ao Palácio do Planalto para nova reunião com o presidente, mais breve e que já foi encerrada.

A meta fiscal de 2017 é hoje de déficit de R$ 139 bilhões. A equipe econômica vai ampliar o rombo até o limite de R$ 159,5 bilhões, que é o resultado negativo observado no ano passado. A intenção do governo é mostrar que há compromisso com o ajuste fiscal de um ano para o outro.

Já a meta fiscal de 2018 é de déficit de R$ 129 bilhões. Há no governo um debate entre fixar a meta em déficit de R$ 149 bilhões, que garantiria a sinalização de compromisso com o ajuste, ou de R$ 159 bilhões, diante das dificuldades em garantir receitas para o ano que vem. A preocupação da área econômica em garantir um número preciso se deve ao fato de que essa meta já foi alterada – ela era de déficit R$ 79 bilhões até abril deste ano.

Havia a expectativa de que as novas metas fossem anunciadas na última quinta-feira (10), mas houve adiamento diante das dificuldades em chegar a um consenso. Na ocasião, líderes parlamentares e até mesmo integrantes do governo, como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, defenderam um rombo maior, de até R$ 189 bilhões neste ano, para conciliar a frustração de receitas com o aumento de despesas.

O argumento dessa ala é de que é preciso acomodar as demandas do “Centrão”, grupo de partidos médios que exerce forte poder de pressão e contribuiu para barrar a denúncia contra Temer no Congresso. Os parlamentares ainda se posicionam contra o aumento de tributos, uma medida considerada necessária pela equipe econômica para reequilibrar as contas. Essa pressão continua ao longo do dia de hoje.

Reuniões

Pela manhã, os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, estiveram com o presidente e outros ministros por cerca de quatro horas. O deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da reforma da Previdência na Câmara, que tinha uma agenda com o presidente, também está no encontro. Mais cedo, Temer recebeu ainda o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Temer participa, às 17 horas, de uma cerimônia de apresentação de oficiais generais, no Palácio do Planalto.

De acordo com a agenda atualizada pelo Planalto, além dos ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia); Dyogo Oliveira (Planejamento); Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência); Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), também estiveram no encontro o ministro Sergio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional e o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Junior.

Por volta do meio-dia, Padilha e a ministra da Advocacia-Geral da União, Grace Mendonça, estiveram com o presidente, em uma reunião paralela à da equipe econômica. Grace ainda almoçou com o presidente e os demais ministros, mas também já deixou o Planalto.