‘Eu só obedecia ordens do comandante-geral’, diz coronel da Lava Jato da PM - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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06/10/2017

‘Eu só obedecia ordens do comandante-geral’, diz coronel da Lava Jato da PM


Era tudo ordem superior. E a defesa do principal acusado na Operação Imperador, a Lava Jato da Polícia Militar de São Paulo, afirma que o homem que promete entregar a cabeça de 18 coronéis vai provar tudo o disser no acordo de delação premiada que ele está negociando com o Ministério Público Estadual (MPE). Aos juízes da 4.ª Auditoria da Justiça Militar, o tenente-coronel José Afonso Adriano Filho, já disse que todas as obras que fez foram por determinação superior. “Do comandante-geral, do subcomandante-geral e do chefe do estado maior da PM. Se não tivesse ordens não executaria.” O tenente-coronel é acusado de estar no centro de um escândalo que envolve fraudes em centenas de contratos de obras de reformas de quartéis entre 2005 e 2012. Cerca de R$ 200 milhões teriam sido desviados.

O tenente-coronel confessou que entre 2005 e 2011 o setor que ele trabalhava, o Departamento de Suporte Administrativo (DSA), efetuou compras e obras sem que isso estivesse previsto na lista de encargos dessa unidade gestora. “A regularização aconteceu em 2011, coma alteração da tabela de encargos (veja as declarações do coronel em 13 minutos e 10 segundos do vídeo com seu depoimento).” Ele está preso desde do dia 9 de março sob a suspeita d éter ameaçado uma testemunha. Foi detido pessoalmente pelo então corregedor da PM, coronel Levy Félix. Estava em sua casa, no condomínio terras de São José, em Itu, um imóvel que os corregedores avaliaram em R# 10 milhões.

Adriano afirmou em seu interrogatório – anterior ao começo de suas tratativas para o acordo de delação para entregar os coronéis, entre os quais o ex-comandante-geral e atual deputado estadual Álvaro Camilo (PSD) – que fez obras em sedes de Comandos de Policiamento de Área, do Comando de Policiamento da Capital, do Quartel do Comando Geral, do Centro de Informações da PM e da Escola de Soldados. O interrogatório na Justiça aconteceu no dia 11 de julho. Até então, ele negava os desvios dos recursos.

“Tudo o que meu cliente disse será provado. Ele não será leviano”, disse o criminalista Luiz Antonio Nunes Filho, que defende Adriano. Por enquanto, o coronel ainda não entregou provas nem detalhou as condutas de cada coronel no suposto esquema . A Corregedoria acusa o cliente de Nunes Filho de ser o verdadeiro dono da empresa Construworld, contratada para diversas obras na PM – um dos sócios da empresa que aparecem na Junta Comercial confirmou a acusação. Ao ser questionado pelos juízes, Adriano contou que pegava cheques da empresa, depositava em sua conta corrente e depois sacava o dinheiro. “Comprava tudo em dinheiro e sem nota, que assim ficava mais em conta.”

Milhões. A Corregedoria da PM informou à Justiça Militar que encontrou R$ 18 milhõesem movimentações bancárias nas contas do coronel e de seus familiares entre 2005 e 2012, período em que as fraudes ocorreram. Só um dos filhos – ainda estudante – teria movimentado R$ 1,3 milhão em um prazo de três anos. Só no primeiro processo que responde, Adriano é acusado de 207 crime.

Outro acusado no caso, o capitão da PM Dilermando César Silva é acusado de ter cometido 125 crimes. Ele era subordinado ao tenente-coronel. “Eu não lia o que assinava”, disse aos juízes da 4ª Auditoria (veja a frase em 1:34 do vídeo do capitão). Segundo ele, os documentos chegavam em sua mesa depois que os convites para as empresas participarem das licitações eram feitos por Adriano.