Hotel Reis Magos, na Praia do Meio, mais perto de completar 17 anos de abandono - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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24/10/2017

Hotel Reis Magos, na Praia do Meio, mais perto de completar 17 anos de abandono


Em fevereiro de 2018, o Hotel dos Reis Magos completa 17 anos de abandono. Junto ao esqueleto do antigo hotel da BRA, na Via Costeira, cuja construção foi embargada em 2007 pela gestão anterior do prefeito Carlos Eduardo, o hotel localizado na Praia do Meio é hoje, sem exagero, o segundo pior cartão postal da cidade para futuros projetos em turismo. 

Em comum entre eles, além do descaso, estão ratos, escorpiões, baratas e um péssimo recado para o investidor: de que as soluções em Natal podem também ser atrasadas e gravosas. 

Com dívidas em aberto de IPTU e taxa de lixo que somavam R$ 100 mil até 2015, a novidade é que deve aumentar as pressões para que a Prefeitura resolva de uma vez a insustentável situação do Hotel dos Reis Magos, de propriedade do Grupo de Hotéis Pernambuco, presente em Recife e Porto der Galinhas. 

A Secretaria Municipal de Tributação (SEMUT) não revela a atual situação das dívidas de IPTU do Reis Magos, alegando sigilo fiscal. Hoteleiros ouvidos, no entanto, consideram que um hotel abandonado há tantos anos reflete, no mínimo, a ineficiência da atual administração em resolver problemas rapidamente a partir de um foco mais econômico e menos político. 

História de idas e vindas 

O hotel dos Reis Magos já foi referência para o turismo do Nordeste, cobiçado por importantes grupos nacionais. Iniciativa do governador Tarcísio Maia, nos anos de 1970, a estrutura passou pelas mãos de dois grandes grupos empresariais, nos anos 80, até ser adquirida pelo grupo de Hotéis Pernambuco. E, quando as coisas já não pareciam mais tão atraentes, com a concorrência da Via Costeira, o hotel foi arrendado a dois empresários potiguares por cerca de 10 anos. 

Depois de inúmeras notícias dando conta de que o hotel ressurgiria das cinzas, a ideia dos donos de demolir o imóvel, dando lugar a um centro comercial, provocou uma ruidosa manifestação de ambientalistas. 

O argumento usado por eles é que haveria uma irreparável perda histórica e arquitetônica para a cidade. Até um abraço simbólico foi promovido ao redor do hotel. Carlos Eduardo caiu na conversa e compôs um discurso de salvação parecido com o que fez em 2007 por ocasião do embargo do hotel da BRA.

Em 2013, depois que um ex-genro foi afastado do projeto de restauração do hotel pela via do divórcio, o então presidente do Grupo de Hotéis Pernambuco, José Pedroza, o Zezito, voltou atrás e resolveu fazer o que o prefeito queria – restaurar o hotel – mesmo sabendo, a partir de perícia, que toda a estrutura estava podre e uma reforma seria jogar dinheiro fora. 

Embora decisões de juízes e do próprios Ministério Público fossem todos favoráveis à demolição, o prefeito resistiu o quanto pôde, sempre tocado pelo argumento dos preservacionistas. 

Só que, em outubro de 2015, o octogenário Zezito morreu, ressuscitando o projeto de um centro comercial para a área do hotel. A tese da demolição só foi aceita pelo prefeito Carlos Eduardo quando, este ano, o Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam), em Brasília, opinou pelo não tombamento do imóvel. 

Carlos Eduardo convidou então José Pedroza Jr., em abril deste ano, para expor os planos para a área – um conteúdo idêntico a de uma reunião realizada em 2013, na Secretaria Municipal de Turismo, pelo mesmo empresário, mas àquela época sem a presença do prefeito. 

Só que, cauteloso, desta vez Pedroza falou sobre a necessidade de fazer um estudo de negócio para verificar qual a melhor proposta para a área. Se seria um novo hotel, um centro comercial ou outro tipo de empreendimento. “Tudo vai depender desse estudo que faremos”, explicou Pedroza. 

Carlos Eduardo, por sua vez, comportou-se como um político diante da única estrada possível: reforçou a necessidade de um investimento que revitalizasse a área dos Reis Magos, localizada em um dos principais corredores turísticos da cidade. 

Com atraso de 17 anos, a avaliação foi a seguinte: 

“Um novo investimento vai gerar retorno em termos econômicos para a cidade e também em qualidade de vida para a população, que terá um espaço revitalizado para atividades de lazer e esporte”. 

Uma grande novidade.