'Sim' vence na Catalunha com 90% dos votos e menos da metade dos eleitores - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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02/10/2017

'Sim' vence na Catalunha com 90% dos votos e menos da metade dos eleitores


O governo da Catalunha informou na noite de domingo que cerca de 90% dos 2,2 milhões de eleitores que compareceram às urnas para se manifestar no plebiscito sobre a independência da região autônoma - pouco mais de 42% do total - votaram pela separação.

O presidente regional, Carles Puigdemont, afirmou que a vitória do "sim" abre espaço para a declaração de independência da Espanha e disse que levará o resultado ao Parlamento catalão, que teria a prerrogativa, conforme as regras estipuladas para o plebiscito, de anunciar unilateralmente a separação. Ele condenou ainda a violência usada pela polícia contra manifestantes, que, de acordo com o governo catalão, deixou mais de 800 feridos.

Algumas horas antes, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, declarou em pronunciamento que não houve referendo, mas uma "encenação". O governo central da Espanha considera a consulta popular ilegal e tentou de diversas formas impedir sua realização.

No sábado, centros de votações e de contagem de votos foram interditados. Cerca de metade das 2.315 escolas que funcionariam como seções eleitorais foram fechadas pela polícia. Pouco mais de 160 foram ocupadas por pais e alunos, que acamparam durante o fim de semana com a intenção de manter os locais abertos para os eleitores.

A véspera foi marcada por protestos pacíficos contra e a favor de uma possível separação da região autônoma. Madri, capital do país, foi palco das maiores manifestações contrárias à realização do referendo. Estima-se que cerca de 10 mil pessoas passaram pela praça Cibeles, onde fica a prefeitura. Mesmo em Barcelona, capital catalã, houve atos contra a consulta.

Nas primeiras horas do domingo, contudo, começaram os confrontos entre as forças de segurança espanholas e manifestantes catalães. Eleitores foram retirados à força em um centro esportivo no município de Sant Julia de Ramis, na província de Girona, onde Puigdemont era esperado para votar.

Foram homens da Guarda Civil que quebraram a porta do local para desocupá-lo e recolher o material usado no pleito. O governo central criticou a ação da polícia local, a Mossos d'Esquadra, chamando-a de "passiva", e determinou que as forças nacionais agissem, segundo o jornal espanhol El País.

Imagens publicadas nas redes sociais e por redes de televisão mostraram cenas de violência. O governo catalão afirma que mais de 800 pessoas ficaram feridas.

A prefeita de Barcelona, Ada Colau, condenou a ação policial contra a "população indefesa". A vice-primeira espanhola, Soraya Sáenz de Santamaria, declarou que a polícia "agiu com profissionalismo e de maneira apropriada".