Energias renováveis podem tornar fruticultura do RN mais competitiva - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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28/11/2017

Energias renováveis podem tornar fruticultura do RN mais competitiva


A seca prolongada suscita, por si só, preocupação com a reserva hídrica no Rio Grande do Norte. No caso da fruticultura, esse receio se soma a outro problema: o crescente custo com energia elétrica para irrigação. Uma alternativa viável para diminuir esse impacto é o uso de fontes renováveis de eletricidade. Como a fruticultura irrigada depende do binômio água/energia, o tema foi debatido no Simpósio Potiguar de Fruticultura, que encerrou no último fim de semana, em Mossoró. Promovido pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), o evento teve a parceria da instituição e da prefeitura.

Um dos participantes da mesa redonda, o presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (SEERN), Jean Paul Prates, defende aproveitamento do momento no qual o Estado lidera a produção nacional de energia eólica, para fazer uma ponte que fortaleça outra fonte renovável: a energia solar.

“O Rio Grande do Norte, pela condição que atingiu em relação à eólica para o mundo e para o Brasil, tem que aproveitar isso para fazer o link com a energia solar. Aproveitar que já temos grandes empresas aqui, que formamos técnicos nas universidades, e juntar o setor de energias renováveis numa coisa só, para ser mercado de trabalho e solução de insumo para nossa agricultura”, argumenta.

Para isso, o especialista diz ser possível criar mecanismos de geração de grande porte, para que haja investimentos diretos para usufruto do potencial solar, levando o Estado à participação de leilões federais na área e fazendo com que as regiões Oeste e Seridó se tornem produtoras importantes desse tipo de energia.

“Em relação à fruticultura, poderia se fazer geração de energia de interesse coletivo, ou seja, fazendo condomínios solares que abasteçam várias comunidades produtoras, ou Prefeituras, ou as duas coisas. E uma terceira alternativa seria a geração individualizada: a pessoa que quiser pode investir no seu próprio sistema, claro, fazendo a manutenção adequada”, propõe.

Jean Paul Prates acredita que a aposta nesse segmento diminuiria o custo com energia. “Teria um custo menor que tem hoje, com geração centralizada e a compra no sistema. Não quer dizer que todo mundo vai se tornar dependente do sistema, o papel da Cosern continuará importante, mas essa realidade precisará ainda de uma adaptação, que já está começando”, pondera.

Além de abordar o uso de energias renováveis na produção de frutas, o Simpósio Potiguar de Fruticultura discutiu outras alternativas, com especialistas renomados nacionalmente, produtores, estudantes e outros segmentos, para fortalecer o setor – fundamental para o desempenho positivo da balança comercial do Rio Grande do Norte.