Jogadores iniciam ações trabalhistas contra o ABC por atrasos de salários - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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29/11/2017

Jogadores iniciam ações trabalhistas contra o ABC por atrasos de salários


Pelo menos cinco jogadores que fizeram parte do movimento grevista deflagrado no ABC no final do último mês de outubro impetraram, ao longo da última semana, com ações trabalhistas no Tribunal Regional do Trabalho (21ª Região), localizado em Natal. Eles cobram os salários que não foram pagos pelo clube ao longo de três meses, além dos repasses relativos a direitos de imagem e demais benefícios acertados em contrato com a diretoria Alvinegra.

Os zagueiros Filipe Costa e Léo Fortunato, o meia Vitor Júnior e os atacantes Daniel Cruz e Fabinho já tiveram suas ações disponibilizadas para acompanhamento na internet, conforme mostra o site JusBrasil. No dia 23 de outubro, os cinco jogadores mencionados e todo o restante do elenco do ABC (à época composto por cerca de 33 jogadores) se reuniram com o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Norte (SAFERN) e decidiram cruzar os braços diante da indefinição da diretoria quanto aos pagamentos dos salários.

Ao todo, o movimento grevista unificado durou cerca de três dias. A partir da quinta-feira, 26, alguns atletas tiveram seus salários depositados e, por consequência, decidiram retomar as atividades normais no Centro de Treinamento Alberi Ferreira de Matos, iniciando a preparação tardia para o jogo contra o Londrina-PR, agendado para o sábado seguinte em Natal. Diante da “quebra da unidade grevista”, houve um racha no elenco alvinegro que, horas depois, acabou vazando nas redes sociais através de áudios encaminhados pelos atletas.

Polêmicas sonoras

Nos arquivos citados, o zagueiro Léo Fortunato, o meio-campista Vítor Júnior e o atacante Fabinho, três dos primeiros a entrarem com ações contra o clube e considerados ‘medalhões’ no grupo, apareceram questionando os posicionamentos de jogadores como o volante Jardel e o atacante Berguinho, revelados nas categorias de base do clube, que romperam o movimento grevista para se colocarem a disposição da comissão técnica para o jogo seguinte em Natal.

Nos casos de Léo Fortunato e Fabinho, os áudios foram direcionados ao atacante Berguinho. O primeiro, aparentemente, responde a um ponderamento do jovem atleta de que mora no Centro do Treinamento do clube e teve de comparecer na reunião com a nova diretoria realizada na quinta-feira, nas dependências do Complexo Sócio-Esportivo Vicente Farache. A ponderação, no entanto, não foi bem recebida pelo ex-jogador do Cruzeiro.

“Tranquilo, sei que você mora aí (no CT), irmão. A gente sabe disso. Mas a questão toda é que a galera tá fechada, mano. Acho que agora não pode ter desconfiança de ninguém, porque os caras (diretoria) querem promover o quê? o terror psicológico e a intriga, pra gente ficar desestabilizado entre nós mesmos. Então temos que manter a cabeça no lugar e confiar, cada um confiar um no outro, sem essa parada de ficar com desconfiança. Se um se foder, vai se foder todo mundo. Se um recebeu, é porque todos estão correndo atrás”, disse.

Fabinho, por sua vez, frisava que havia um acordo entre os atletas para que ninguém comparecesse ao clube naquela data, o que foi quebrado por alguns jogadores. “Não é isso não, Berguinho. Não tem essa de que tem gente aqui que não confia, até porque ninguém tá falando que deixou de confiar em ninguém aqui não, tá certo? Apenas é que foi falado pra ninguém comparecer (no clube) por que isso colocou um monte de gente em situação delicada, entendeu? Tem até nomes de jogadores circulando agora com grupinho, irmão. A questão não é essa, Berg”, criticou o atleta, completando:

“Não tem essa de confiança não, irmão. Agora, porra, não era pra comparecer ninguém. Quem tá falando pra você é o Fabinho, se quiser, fale diretamente comigo, entendeu? é simples, irmão. Ninguém tá falando de desconfiança, apenas estamos dizendo que não era pra comparecer, mais nada. Esses caras (dirigentes) não fizeram nada pra resolver a nossa situação. A gente também tem família, estamos todos sem receber. Nós não compramos uma briga pra três ou quatro receber não, foi pra todo mundo”, completou.

Já o meia Vítor Júnior, contratado como uma das referências do clube para a sequência da Série B e acumula passagens por clubes grandes do país como Corinthians, Internacional e Botafogo, foi o responsável por manter contato com o volante Jardel. Em áudio, Vitor parecia lamentar a decisão do companheiro de grupo em ter retomado aos treinamentos e exaltava, em diversos momentos do curto pronunciamento, o fato de já ter ‘ganhado muito dinheiro’ com futebol.

“Tranquilo, Jardel. O mundo dá voltas. Eu ganhei dinheiro porque eu sempre fui honesto, mano. E vou continuar ganhando. Aqui no ABC eu não ganhei porra nenhuma. Vocês ganharam míseros dois salários e acham que estão bem? Vocês não estão pensando no grupo todo. Não é por mim não, eu tô falando pelo grupo inteiro. Eu ganhei dinheiro e ganhei dinheiro pra caralho, e vou continuar ganhando ainda, entendeu? Mas muitos de vocês… quem sabe, mano? Tomara que sim, mas se vocês não tiverem dignidade, não vão ganhar não”, profetizou.

Independentemente da repercussão dos áudios, o ABC garantiu, naquela oportunidade, que iria entrar em campo no sábado com os atletas que se colocaram a disposição (o que, de fato, aconteceu). Com um time formado por Edson; Arez, Tonhão, Danrlei e Eltinho; Djavan, Felipe Guedes e Erivélton (Daniel Nazaré); Berguinho, Fessin (Jardel) e Matheus (Dalberto), o Alvinegro venceu a partida contra os paranaenses pelo placar de 3 a 0 (sua maior vitória ao longo de toda a Série B). Os gols foram marcados por Matheus, Fessin e Dalberto e deu, na época, um ânimo a mais na luta contra o rebaixamento. Contudo, dias mais tarde, o clube acabou rebaixado para a terceira divisão do país.