Raquel Dodge defende que STF mantenha prisão após condenação em 2ª instância - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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07/11/2017

Raquel Dodge defende que STF mantenha prisão após condenação em 2ª instância


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu na quarta-feira (1°), que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha o entendimento que permite a prisão após a condenação em segunda instância. Para ela, trata-se de medida que ajuda a combater a impunidade.

No ano passado, a Suprema Corte decidiu que um réu pode ser preso depois de ter sido condenado em um tribunal de Justiça ou tribunal regional federal, mesmo que ainda tenham recursos pendentes. Antes, os réus respondiam em liberdade até o último recurso. A Corte, porém, ainda vai julgar ações que podem reverter esse entendimento.

“Nossa agenda mais recente deve incluir a luta pelo fim da impunidade. Para isto, é necessário defender no Supremo Tribunal Federal o início da execução da pena quando esgotado o duplo grau de jurisdição”, disse a procuradora-geral.

Dodge deu a declaração durante a abertura do 34º Encontro Nacional de Procuradores da República, que reúne cerca de 280 membros do Ministério Público Federal em Porto de Galinhas (PE). O evento vai até domingo (5).

Em seu discurso, a procuradora-geral ponderou que eventual mudança pelo Supremo poderá tirar a “credibilidade das instituições” de que são capazes de entregar o direito à Justiça de forma “coerente e célere”.

“O sistema de precedentes vinculantes adotado no Brasil exige que a decisão do pleno do Supremo, que já afirmou a constitucionalidade da prisão após a segunda instância seja respeitada sob pena de reversão da credibilidade das instituições como capazes de fazer entrega da prestação jurisdicional de modo seguro, coerente e célere”, disse.

O ministro do STF Luís Roberto Barroso participou do mesmo evento e também defendeu a prisão depois da condenação em segunda instância.

“Eu acho que, havendo a condenação em segundo grau, tem que se executar a pena, porque, se der isso como mera faculdade, nós vamos cair na seletividade do sistema penal de novo. Alguns vão cumprir pena e outros vão ficar esperando o recurso extraordinário. Tem que ser uma regra geral”, afirmou.

Ele disse ainda ser contra o argumento de que os pobres são os mais penalizados com essa decisão por não terem condições de pagar por uma boa defesa.

“O que a possibilidade de execução da pena depois do segundo grau passou a permitir é a prisão por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitações. Pobres não cometem esses crimes, esses são crimes de ricos. Portanto, o argumento de que a mudança é por uma preocupação com os pobres não corresponde aos fatos”, declarou.

Entenda o histórico

Em 2016, o STF decidiu admitir que um réu condenado na segunda instância da Justiça comece a cumprir pena de prisão, ainda que esteja recorrendo aos tribunais superiores.

Com isso, basta a sentença condenatória de um tribunal de Justiça estadual (TJ) ou de um tribunal regional federal (TRF) para a execução da pena. Até então, réus podiam recorrer em liberdade ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao próprio Supremo Tribunal Federal (STF).

Esse entendimento foi confirmado em outras duas decisões da própria Corte, em outubro e novembro de 2016.

O assunto, porém, ainda deverá voltar à pauta do plenário numa análise mais aprofundada de ações da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Partido Ecológico Nacional (PEN). Ainda não há data para esse julgamento.

No mês passado, a Advocacia Geral da União (AGU) encaminhou ao Supremo um parecer favorável à revisão da prisão em segunda instância. O governo federal defende que só deve haver prisão depois de esgotados todos os recursos da defesa.