Autor de declarações estapafúrdias, Robinson Faria é apelidado de “Governador Ofélia” - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

NOVAS

02/12/2017

Autor de declarações estapafúrdias, Robinson Faria é apelidado de “Governador Ofélia”


Não é apenas por afogar o Rio Grande do Norte no fundo da fossa da ineficiência administrativa que o governador Robinson Faria se destaca com rara competência. Mal assessorado e afeito às cavilações e falsos elogios de seus interlocutores mais íntimos, Robinson Faria ganha agora notoriedade como autor de declarações polêmicas e estapafúrdias, que já se tornaram marca registrada de seu governo.

Além de administrar de forma precária, o governador do RN também declara mal. Em geral, após cada declaração fora de órbita que é reportada pelos meios de comunicação, vem sempre a famosa “Notas de Esclarecimento”, através das quais declarantes inaptos tentam transformar o dito em não dito. Os sucessivos “auto-desmentidos” do governador Robinson Faria, em sua essência, não convencem a ninguém, mas externam o fato de que o governo se encontrar “grogue”, sem rumo, sem prumo.

As sandices ditas por Robinson Faria em forma de declaração são facilmente percebidas pela opinião pública e criticadas nas redes sociais. O despropério verbal já rende a Robinson Faria o apelido de “Governador Ofélia“, numa alusão direta a personagem ícone da atriz Cláudia Rodrigues, que no antigo programa de humor “Zorra Total” interpretava a “Ofélia”, uma socialite carente de inteligência, que se notabilizava pelas asneiras que dizia e pelo conhecido bordão “só abro a boca quando tenho certeza”.


Ao longo de sua gestão, o governador Robinson Faria expôs o seu desarranjo verbal em diversas situações. Algumas de suas declarações ainda repercutem:

Novembro de 2017, sobre a decisão da PM de paralisar as atividades, por conta do atraso salarial:

“Não aceito insubordinação da Polícia Militar. Não admito e tomarei todas as medidas, inclusive as mais drásticas se preciso for, para garantir o trabalho da segurança para a população”.

Novembro de 2017, em entrevista na 94 FM sobre a judicialização do repasse do duodécimo para os poderes:

“É fácil para o Poder Judiciário mandar o governo cumprir [o repasse do duodécimo], mas eu pergunto ao Judiciário: ‘Como vou cumprir? Onde está o dinheiro para cumprir? Onde está o dinheiro?’”

“Os Poderes têm colaborado, mas nessa ação judicial houve certa precipitação”.

Novembro de 2017, durante entrevista à imprensa de Mossoró, sobre o atraso da folha de pagamento dos servidores:

“É um direito que eles têm de espernear”.

Agosto de 2017, em entrevista à 96 FM, afirmou que grande parte da sensação de insegurança da população acontecia por causa do ‘sensacionalismo’ da imprensa potiguar:

“A mídia gosta dessas notícias. Por isso há uma sensação de insegurança muito grande”.

Janeiro de 2017, em entrevista em rede nacional à BANDNEWS, no auge da rebelião no presídio de Alcaçuz. A declaração virou motivo de piada:

“A situação de Alcaçuz está controlada”.

Dezembro de 2015, ataca duramente a atuação do Ibama no Rio Grande do Norte, durante palestra no NOVO RN:

“O Ibama está prejudicando a economia do estado. Atrapalhando o desenvolvimento, na contramão do que o governo vem fazendo”.

REELEIÇÃO

Embora surfe nas altas ondas da impopularidade e descrédito, Faria criou para sí uma realidade utópica, como se fosse personagem de “Alice no País das Maravilhas”. Segundo confessam interlocutores que lhes são próximos, o governador do Rio Grande do Norte acredita que faz um grande governo e que reúne condições de disputar a reeleição e sagrar-se vitorioso.

No entanto, não é essa a realidade das ruas. Robinson Faria perdeu o “time”, e deixou escapar por entre os dedos a oportunidade de fazer um governo de mudanças, renovador e capaz de consagrá-lo no Podium dos homens que fizeram a diferença na história. Optou, portanto, pela mesmice, pelo convencional, pelo o que é o avesso do avesso do avesso do avesso.

Em um governo cheio de curiosidades, um fato redundantemente curioso chama atenção: as mazelas que afetam o governador Robinson Faria não contaminam o vice-governador Fábio Dantas, nem lhe rende qualquer desgaste.


Pelo contrário, Dantas circula com desenvoltura e popularidades nos melhores círculos empresariais e políticos, sem ser alvo de cochichos maldosos, nem de olhares irônicos.

Frequentador rotineiro dos gabinetes da Assembleia Legislativa, Fábio Dantas é uma espécie de “queridinho” dos deputados, como se fosse a única bússola que sobrou em uma nau prestes a naufragar.

Aliás, a zona de conforto de Fábio Dantas relembra um pouco da que foi vivenciada por Robinson Faria quando vice-governador da governadora Rosalba Ciarlini.

Naquela ocasião, imune ao desgaste do governo Rosalba, o vice Robinson Faria posicionou-se como exceção dentro do cenário de ruína que havia se configurado a administração estadual.

Hoje, resta saber se o feitiço irá virar contra o feiticeiro. Há quem aposte que só falta o cavalo selado.

Do FM