Potiguar gosta de carro grande, branco e, se possível, mais barato - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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01/12/2017

Potiguar gosta de carro grande, branco e, se possível, mais barato


Branco, preto, prata e vermelho são as cores de carro mais preferidas pelos motoristas cadastrados no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) no Rio Grande do Norte.

Para Arnon César Ramos e Silva, que desde o começo do ano ocupa a presidência da Federação Nacional de Distribuidores de Veículos Automotores no RN, o gosto quanto a cor de carro é algo mais ou menos universal.

Já a famosa preferência dos potiguares por carros grandes ou que aparentem mais robustez, nem tanto.

Definitivamente, há uma tendência maior aqui pelos SUVs (Sport Utility Vehicle) ou utilitário esportivo famoso “pau pra toda a obra”, semelhante a uma camioneta, normalmente equipado com tração nas quatro rodas para rodar sobre todos os tipos de terreno.

“Como temos aqui um ambiente de dunas, praias e ruas nem sempre convidativas, o mercado para esse SUVs é bastante promissor para o nosso tipo de cliente”, diz Arnon.

Segundo ele, este ano o mercado de novos e usados no RN deve fechar com um crescimento em torno de 10% em relação ao ano passado, um percentual até maior do que se imaginava em janeiro, quando se pensava algo em torno de 4%.

É claro que muito desse crescimento, em termos nacionais, está sendo puxado pela exportação, mas a redução gradativa da taxa de juros livrou um pouco o ambiente das nuvens negras que rondavam a economia.
Mas há coisas que não devem mudar nesse mercado.

Por exemplo, a relação entre carros novos e usados deve permanecer. A única coisa que muda é a relação custo-benefício que aproxima o consumidor daquilo que ele mais deseja do preço que ele pode pagar. “No caso, um carro robusto, grande na aparência, com um preço menor em relação a similares de mercado”, garante Arnon.

“Não acredito que nosso consumidor se aproxime da cultura americana, que olha o carro como objeto de uso; para o nosso tipo de cliente, carro continua sendo um objeto de desejo”, diz o presidente local da Frebravam.

Num mercado em que o número de motocicletas já emparelha com o dos carros de passeio (no estado já eram 415 mil motos contra 519 mil automóveis até junho último, segundo dados do Renavam), a cultura de consumo do potiguar não promete mudar de um dia para outro.

Aqui carro continua sendo um bem de consumo de grande valor e não algo que se possa descartar a não ser que se possa comprar outro modelo melhor já no dia seguinte.

Arnon César Ramos e Silva lembra que há 20 anos os bancos investiram pesado em operações de leasing, mas travestidas de financiamento; e não da forma como isto é feito nos EUA. “Essa operação, que antigamente se alicerçava muito em benefícios fiscais, não existe mais e estavam sediadas mais no interior de São Paulo e ofereciam incentivos fiscais, como a isenções de ISS”.

Embora ele reconheça a abissal diferença que separa as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, há ainda um forte apego cultural do consumidor ao carro, como se ele fosse um membro da família que mora fora de casa, na garagem.

“Hoje o ISS é pago pela alíquota do local do arrendatário, o que também inviabiliza a preferência pelo leasing, além também do fato que é muito melhor comprar pagando as taxas de juros nos EUA (3% ao ano) do que no Brasil (13% ao ano para o consumidor final)”, exemplifica Arnon.

Mesmo assim, o financiamento segue como a principal modalidade de financiamento do setor, seja através de banco ou através de consórcio e o próprio leasing. E o amor pelo carro próprio também. De acordo com o Renavam, a frota de automóveis no Rio Grande do Norte, em 12 anos, dobrou de tamanho, saindo de 408 em 2005 para mais de 1,205 milhão em meados de 2017. A proporção entre carros novos e usados segue a mesma, com ou sem crise – dois usados para um novo, até porque o usado sempre entra na compra de um novo.