Em 10 anos, indústria perde 7,7% em participação no PIB do RN - Joabson Silva

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22/01/2018

Em 10 anos, indústria perde 7,7% em participação no PIB do RN


Ao longo de 10 anos, entre 2005 e 2015, a indústria perdeu 7,7% de participação no PIB (Produto Interno Bruto) do Rio Grande do Norte. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria. Com R$ 51,2 bilhões, o estado ficou com o 10º menor PIB do país.

As estimativas, porém, são de que o resultado tenha piorado ao longo de 2016 e 2017. Isso porque, ainda de acordo com a CNI, a construção civil encabeçava a lista dos principais setores da indústria potiguar, sendo responsável por 37,1% de participação. Porém o setor passa por uma grave crise, segundo a vice-presidente do Sindicato da Construção Civil, Larissa Dantas Gentile.

"A gente passou por dois anos de crise e, em 2018, a indústria continua parada, não temos notícia de novos investimentos", ressalta. A perspectiva, de acordo com ela, é que haja alguma reação a partir do segundo semestre. Mas isso depende do cenário político e de resultados de discussões nacionais, como a reforma da previdência, que ela defende.

"Foram dois anos de muitas demissões e, para retomar os empregos, precisamos primeiro que sejam retomados investimentos", argumenta.

Ainda de acordo com a CNI, entre 2007 e 2015 o setor que mais cresceu dentro da indústria potiguar foi o de derivados de petróleo - aumento de 10,6%. Porém o setor de produção também passou por uma crise ao longo dos últimos dois anos e registrou demissões.

"A indústria vem declinando ao longo dos últimos anos por diversos fatores", diz o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Amaro Sales. Para ele, o país passa por uma desindustrialização por causa da alta carga tributária e pelas incertezas políticas. "Apesar de ter uma participação muito pequena nacionalmente, a indústria local sofre das mesmas mazelas", acrescenta.

A expectativa dele, porém, é que o setor possa ter uma melhora ao longo do ano, diante da queda dos juros, o que facilita a aquisição de crédito pelos investidores.

Salários abaixo da média

Ao todo, a indústria potiguar representa pouco mais de 17% dos empregos formais gerados no estado - são cerca de 100,4 mil. Apenas 56% desses trabalhadores têm pelo menos o ensino médio, quando no Brasil a média é de 61,9%. Em 2016, ainda de acordo com a CNI, o salário médio dos trabalhadores do setor no estado era de R$ 1.962, o que fica 25,4% abaixo da média nacional.

Mais de 74% das empresas industriais do estado são classificadas como micro, com até 9 empregados. Elas são responsáveis por 14,5% dos empregos gerados pelo setor, segundo a CNI. Os pequenos negócios, com um número entre 10 a 49 empregados, são 20,6% do total, gerando 27,1% dos empregos formais.

Apesar de serem poucas e representarem menos de 5%, as médias e grandes empresas empregam juntas quase 60% dos trabalhadores da indútria potiguar.