Aplicativo Médicos do RN chega para facilitar acesso a saúde proteger profissionais do setor - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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20/03/2018

Aplicativo Médicos do RN chega para facilitar acesso a saúde proteger profissionais do setor


Quando um avanço tecnológico aparece e ganha os consumidores, não tem jeito: é preciso se adaptar e utilizar a nova ferramenta a seu favor – e, se possível, de forma pioneira. E é justamente pensando nisso que o Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) e a Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Norte (OCERN) estão se antecipando no Rio Grande do Norte para lançar no Estado o aplicativo “Médicos do RN”, uma espécie de “Uber da Medicina” – como já está sendo chamado em outros estados – para facilitar a marcação de consultas e o acesso da população a saúde.

Basicamente, o aplicativo funciona da mesma forma que o Uber, mas adaptado, claro, para as peculiaridades do setor médico. “É o mesmo sistema do Uber. Uma plataforma eletrônica tipo aplicativo, onde o paciente entra e diz o que quer. Quer médico? Uma especialidade? Coloca lá a especialidade. Ou ele pode querer um médico específico, que também tem lá. Ou um serviço, porque também vamos prestar esses serviços. Exames, cirurgias”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira, um dos defensores da nova ferramenta.

“Se você quer um dermatologista, por exemplo, você entra e tem lá a relação dos que estão disponíveis. Você pode abrir o currículo dele ou se já conhecer, pode abrir direto a agenda deles e ver a disponibilidade. Você mesmo entra na agenda, escolhe o horário e a data e marca. E você mesmo faz o pagamento com o cartão de crédito. Ou seja: mesmo sistema do UBER, só que fiscalizado e acompanhado pelo Sindicato dos Médicos”, acrescentou Ferreira.

Para o paciente, inclusive, ainda será permitido procurar pelo atendimento domiciliar ou em consultórios, com preços variados para a consulta e outros tipos de procedimentos, como exames e cirurgias. O pagamento é feito pelo cartão de crédito cadastrado no aplicativo, do mesmo jeito que é feito com o Uber. “O termo ‘Uber da Medicina’ é chocante para os médicos, que prezam muito pela qualidade do trabalho. Mas nós achamos que vai reunir algumas características importantes, como a comodidade na marcação, a flexibilidade, que é o ‘preciso ter dentro do que posso’ e a qualidade, com serviço feito por profissionais qualificados”.

E haverá também a possibilidade de marcação de exames e cirurgias, por exemplo, e outros serviços ligados a saúde, como a fisioterapia. “Inicialmente, esses serviços deverão ser prestados por empresas”, ressalvou Ferreira, acrescentou que clínicas e hospitais poderão sim se cadastrar no aplicativo, que terá também um local próprio para a realização de atendimentos e cirurgias: “já temos um local para um hospital, inclusive”.

Para os médicos, será necessário um cadastro e eles precisarão estar devidamente sindicalizados, registrados e habilitados para atuar. Haverá uma taxa mínima cobrada para o atendimento, com o objetivo de evitar a concorrência desleal, mas a intenção é que o mercado (relação oferta/demanda) defina os valores da consulta.

Um dos pontos positivos para os profissionais da área é a flexibilização do atendimento. “É bom também para o médico que, por exemplo, trabalha em mais de um local e só tem alguns dias na semana disponíveis para o atendimento. Ele vai poder colocar lá no sistema os horários que ele pode atender e o paciente vai lá e marca. Será algo muito flexível. Se quiser trabalhar só na segunda de manhã, por exemplo, pode. Se quiser todos os dias, também pode”, afirmou Geraldo Ferreira.

Cooperativa administrará atendimento do aplicativo “Médicos do RN”

De acordo com o Sindicato dos Médicos, a ideia é que o aplicativo seja administrado por uma cooperativa específica, criada para esse fim: a Cooperativa de Trabalho Médico Autónomo e Social. A assembleia de fundação da Cooperativa deverá ser feita no dia 10 de abril e a partir daí o aplicativo já estará disponibilizado. “Nossa ideia é ter mais de mil médicos cadastrados”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médios, Geraldo Ferreira.

Para o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Norte (OCERN), Roberto Coelho da Silva, e o superintendente da OCERN e operador da parceria com o Sinmed, Eduardo Gatto, a ideia central do aplicativo é criar “uma plataforma de excelência em saúde, gerando benefício mútuo para pacientes e médicos”.

Como será necessária a criação de uma cooperativa para esse fim, será cobrada uma taxa dos profissionais cadastrados, mas nada que possa soar exploratório. “O UBER dos transportes é uma realidade, mas se você conversar com os motoristas, há muita reclamação sobre a taxação. E aqui não. Um dos benefícios é, justamente, eliminar a figura do atravessador. Vamos trabalhar outro sistema, o das cooperativas, onde as pessoas são as ‘donas’”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira.

Por sinal, foi justamente pensando na defesa dos profissionais da área que Sinmed e OCERN decidiram se antecipar a chegada de aplicativos como esse no RN. “É um terreno que nós acompanhamos durante algum tempo e percebemos que é um espaço que se nós não ocupássemos com um modelo de cooperativa médica, iria ser muito ruim para os médicos, porque vão ficar sub-remunerados, explorados”, elencou Ferreira.

E porque a escolha por uma forma de cooperativa? Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, porque essa é uma forma de trabalho já consagrada para o setor: “os médicos têm um espirito cooperativo muito forte e vitorioso”.

Por isso, o Sinmed e a OCERN não estão tendo dificuldade em difundir a ideia no Rio Grande do Norte e, além da Grande Natal, já encontraram médicos interessados em aderir ao aplicativo também em Caicó e Mossoró. “Não começamos efetivamente o cadastramento, mas quem já divulgamos a ideia, afirmou que quer se filiar. Mesmo quem já tem clientela estável e tudo, sabe que não há porque ficar de fora, inclusive porque pode fixar o preço dele. Por que vai estar rejeitando paciente que vem para você com o preço que você está fixando?”, questionou.