Assembleia Legislativa lança mais uma etapa da “ambulancioterapia” - Joabson Silva

NOVAS

07/03/2018

Assembleia Legislativa lança mais uma etapa da “ambulancioterapia”


A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte entregou na manhã dessa terça-feira, dia 6, 24 ambulâncias UTIs que servirão para reforçar a condenável prática da “ambulancioterapia”, quando doentes são trazidos do interior e deixados em hospitais de maior porte, como o Walfredo Gurgel, em Natal, e o Deoclécio Marques, em Parnamirim.

A festa foi grande. Toda poderosa, a Assembleia Legislativa promoveu as doações, agradando os deputados e os prefeitos. O presidente da Casa, Ezequiel Ferreira de Souza, discursou observado por assessores que se acotovelavam em busca do melhor ângulo.

E haja foto! Os deputados posaram ao lado dos prefeitos, secretários, entregando chaves e documentos dos veículos.

Para quem não enxerga ou não quer enxergar um palmo além do nariz, o ato de hoje foi uma maravilha, mas para quem não se deixa levar pelos comes e bebes pagos com dinheiro público, o que se viu hoje é mais um capítulo de uma novela duradoura, onde ao invés de haver investimentos nas cidades, com a estruturação do aparelho da Saúde Pública, passando por prédios, equipamentos e contratação de pessoal, o que se faz é transferir o “problema”, superlotando os centros médicos da capital.

Não é de hoje que a “ambulancioterapia” existe no Rio Grande do Norte. É prática corriqueira da velha política. E não faltam “pais para as crianças”. Os deputados garantem que as indicações partiram deles; os prefeitos garantem que suas influências resultaram nas doações; correndo por fora, o presidente Ezequiel não vai perder a chance de exercer o papel de protagonista de todo o processo.

Em meio a tudo isso, há quem garanta que as doações são ilegais, que a Assembleia Legislativa, caso estivesse com dinheiro sobrando, deveria ter repassado o montante para o Governo do Estado, que compraria os veículos e os doaria. O Ministério Público, quem sabe, talvez já esteja de olho nessa “Operação Transfere Doente”.