Cicinho anuncia aposentadoria aos 37 anos e recebe homenagens do São Paulo - Joabson Silva

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08/03/2018

Cicinho anuncia aposentadoria aos 37 anos e recebe homenagens do São Paulo


Campeão da Libertadores e do Mundial de 2005 com o São Paulo, Cicinho anunciou nesta terça-feira, 6, sua aposentadoria como jogador de futebol. Aos 37 anos, o ex-lateral direito tornou pública sua decisão em coletiva de imprensa no estádio do Morumbi, onde recebeu homenagens do clube tricolor.

Ex-jogadores do São Paulo, como Rogério Ceni, Amoroso e Aloisio Chulapa, gravaram vídeos exaltando Cicinho e parabenizando-o pela carreira. Antes da coletiva, Cicinho recebeu das mãos do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e do superintendente de relações institucionais do clube, Lugano, uma camisa com uma placa que agradece a atuação do atleta pelo São Paulo. Pelo time tricolor, Cicinho esteve em campo por 151 jogos e marcou 21 gols.

“Encerro minha carreira devido a um problema no joelho esquerdo”, disse Cicinho. “Estou feliz e tranquilo com esta decisão, que foi tomada em comum acordo com minha família. Eu precisaria de uma cirurgia que levaria agressiva, e que não achei viável. A melhor opção seria parar. Daqui para frente é um novo rumo na minha vida. Agradeço a Deus por tudo o que conquistei como jogador e ao São Paulo.”

Fora dos gramados, o ex-atleta não descarta atuar como dirigente ou auxiliar técnico futuramente, mas prefere esperar. Seu desafio agora é como empreendedor. Cicinho planeja inaugurar um centro esportivo em Goiás, que já está em construção há dois anos. Na entrevista, ele revelou que seu retorno ao futebol brasileiro para atuar no Brasiliense, do Distrito Federal, foi uma aposta para voltar a atuar em alto nível.

“Quando voltei e tentei jogar no Brasiliense, já percebi alguns problemas físicos e comecei a me preparar para ter uma aposentadoria tranquila. Não voltei a jogar futebol por questões financeiras. Eu voltei pelo prazer de jogar futebol. Agora o tempo é de parar. Mas talvez eu pense em retornar ao mundo do futebol. Para isso, preciso estudar, me aperfeiçoar no inglês e pensar se quero ser um dirigente ou um assistente. Não me vejo como um treinador.”

Cicinho contou que já recebeu propostas para atuar fora dos gramados na Turquia, mas que no momento prefere ficar no Brasil. O ex-atleta atuou no Sivasspor de 2013 a 2016. “Tive e tenho a oportunidade de trabalhar na Turquia, mas isso é um pouco distante porque nossa vontade não é sair do Brasil. Tenho um projeto, a 110km de Goiânia, que é uma escolinha de futebol, um centro esportivo bem completo. Meu pensamento está nisto. E aproveitar o momento para viajar, pescar e até comer um pudim sozinho.”

O ex-jogador agradeceu ao São Paulo por ajudá-lo na identificação de um problema psicológico relacionado ao consumo de álcool, que poderia ter comprometido sua carreira. “Detectaram que eu tinha um problema e era por conta do álcool. Eu não conseguia ficar um dia sem beber. Existem vários tipos de depressão, e a minha eu escondia atrás do álcool. O São Paulo detectou isso e me ajudou. Eu não tinha mais prazer de jogar futebol e consegui dar a volta por cima através das minhas crenças.”

Analisando o atual momento do clube que o projetou para o futebol mundial, Cicinho diz confiar nos atletas do São Paulo. “Sou torcedor e apaixonado pelo São Paulo. E sei que é obrigação ser campeão aqui. Quando eu jogava, sabia dessa responsabilidade. Topei o desafio e consegui títulos. Sei que os jogadores que estão no time também pensam assim.”

Para Cicinho, um dos problemas atuais do futebol brasileiro é a saída precoce de atletas para outros países. “Vejo jogadores saindo muito rápido do Brasil. Esse é o problema. O Brasil vende muitos jogadores. Fazem um campeonato bom e já saem. Como podemos falar que estamos escassos de laterais, se temos Fagner, Bruno, Daniel Alves, Danilo. Temos muitos laterais. A gente olha o lateral apenas pelo que ele produz na seleção brasileira. Hoje você vê 70 meninos em uma peneira, e as 70 querem ser atacantes. Hoje o pessoal monta escolinha e pensa em dinheiro. Mas você precisa formar ser-humano. No Brasil, todo mundo quer ser atacante, quer ser Neymar, e não é assim.”