Em Parelhas, Flávio Rocha defende legado do Pró-Sertão e confirma pré-candidatura - Blog do Joabson Silva | Opinião e notícia

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12/03/2018

Em Parelhas, Flávio Rocha defende legado do Pró-Sertão e confirma pré-candidatura


Foi, sob todos os aspectos, uma calorosa recepção. Um sol escaldante e um agitado público estimado em 4 mil pessoas receberam Flávio Rocha neste sábado, 10, em Parelhas. A cidade é a terceira do Rio Grande do Norte a receber a visita do empresário em apenas uma semana. Antes, ele esteve em Natal e Mossoró. Outras viagens já estão sendo planejadas.

Parelhas, município da região Seridó distante 240 Km de Natal, é um dos polos do Pró-Sertão, programa de interiorização da indústria têxtil idealizado por Rocha. Por lá, foram instaladas dezenas das chamadas facções têxteis, pequenas fabriquetas de roupa que compartilham a produção de peças com a gigante de Guararapes.

A passagem de Flávio Rocha teve dois principais objetivos: a celebração do êxito do Pró-Sertão e o lançamento no município da nova agenda do empresário, o movimento “Brasil 200”, que prega a adoção de medidas liberais no próximo mandato presidencial – que vai se encerrar em 2022, quando o país completará dois séculos de independência da Coroa portuguesa.

O dono do Grupo Guararapes (que inclui as lojas Riachuelo) foi recebido com honras de presidente. Literalmente. Vestidos de camisetas amarelas e gritando “Brasil pra frente, Rocha presidente”, costureiras, autoridades políticas e empresários da região estenderam o tapete vermelho para aquele que, na visão deles, ajudou com o Pró-Sertão a transformar a vida de pessoas que, até bem pouco tempo, tinham pouca perspectiva de trabalho.


A oficina de costura F e L Azevedo é um exemplo de como o programa tem ajudado a desenvolver a região. Localizada na zona rural de Parelhas, mais precisamente no Distrito de Cachoeira, a facção têxtil emprega pelo menos 30 pessoas. Como esta, há pelo menos outras 60 oficinas espalhadas pelo Seridó, em municípios como Acari, São José e Santana do Seridó e São Vicente.

Por dia, a fabriqueta de Parelhas costura uma média de 500 peças, ou 15 mil por mês. Finalizado o trabalho, as roupas retornam à Guararapes, que paga pelo serviço executado no interior e dá conta do restante do processo. O compartilhamento da produção gera benefícios para ambas as partes: enquanto a Guararapes desconcentra sua produção, as fabriquetas no interior têm trabalho garantido, o que gera emprego e renda na região.

A F e L tem 2 anos e meio de atuação e só foi erguida graças ao Pró-Sertão. “Sou muito grato ao Pró-Sertão, pois assim conseguimos dar oportunidades de trabalho em uma região tão difícil”, destaca o empresário Luís Andrade, de 25 anos, administrador da oficina.

A costureira Liliana Azevedo conta que, se não fossem as facções têxteis, dificilmente haveria tantas oportunidades de emprego na região. “Aqui somos bem tratadas. Não tenho do que reclamar. Sou muito feliz por esse projeto, pois há poucas oportunidades”, diz a empregada.

Apesar disso, o Pró-Sertão tem sido alvo de ações do Ministério Público do Trabalho. No início do ano, um grupo de procuradores deu entrada em um processo contra o modelo de terceirização idealizado por Flávio Rocha. Na avaliação deles, a Guararapes deve ser responsabilizada por todos os direitos trabalhistas dos funcionários das facções. Na Justiça, o MPT pede que a empresa pague R$ 38 milhões a título de indenização coletiva. O caso ainda não foi julgado. Em outras ações, a Guararapes é acusada de impor aos seus funcionários condições análogas à da escravidão.

A ida de Flávio Rocha a Parelhas foi indisfarçavelmente uma afronta aos procuradores. Em um discurso que remeteu em vários momentos ao clássico “Nós contra eles”, o CEO do Grupo Guararapes escrachou o MPT, chamando os representantes do órgão de “detratores” e “aristocracia burocrática”. “Eles são meio por cento da população brasileira, que se apropriou do Estado brasileiro para manter os seus privilégios. Eles são os inimigos da prosperidade. É clara a perseguição. Fizeram uma ação que vale praticamente toda a receita da nossa operação aqui no Rio Grande do Norte, com a intenção claramente intimidatória. Mas eu tenho um sentimento de compromisso com o Pró-Sertão, com o Seridó. A minha reação foi botar a boca no trombone. Eu não ia me conformar”, acrescenta.

Muitas das pessoas empregadas nas facções têxteis de Parelhas, região castigada pela seca há seis anos, nunca sequer haviam tido a carteira de trabalho assinada antes da instalação das oficinas. “Historicamente, essa região só tinha a previdência social, o Bolsa Família e algum apoio da prefeitura local. Agora, essas pessoas podem prover as suas famílias com o suor do próprio rosto. O trabalho as emancipou”, frisa o deputado federal Rogério Marinho (PSDB), que era secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico quando o Pró-Sertão foi criado.

Antes de se dirigir ao Clube Acampar, onde um palco foi montado e uma recepção foi organizada, Flávio Rocha visitou a oficina de costura da comunidade de Cachoeira. Lá, o empresário destacou a essência do projeto. “Essa oficina mostra a capacidade transformadora do Pró-Sertão. É o meu sonho de vida, transformar essa região na Galícia potiguar”, disse, em referência à região da Espanha que, que graças à indústria têxtil, sobreviveu à crise que arrasou a Europa na década passada.

No centro da cidade, Flávio foi recebido com festa e com pinta de candidato. No palco, a dupla sertaneja paulista Mateus e Cristiano cantava música composta especialmente para o líder da Riachuelo e da Guararapes. Para ser jingle de campanha, falta o número. “Com Flávio Rocha tudo vai ser novo / É a esperança, é a vontade do povo / Vou ter orgulho de ser brasileiro”, diz um trecho da letra.

Questionado se será candidato nas próximas eleições, como tem demonstrado em eventos como o de Parelhas, Flávio desconversou, mas não rejeitou a ideia.

“Eu estou dando a minha contribuição através do Brasil 200, que é uma forma extremamente eficiente de pautar o debate político. Mas, onde tenho andado, tenho sido agraciado com a generosidade das pessoas, sobre essa possibilidade de partir para uma candidatura. Não serei candidato apenas para marcar posição. Mas, se a coisa continuar crescendo como está crescendo, vou fazer o que for melhor para o movimento”, afirmou.

Mais tarde, durante discurso para o público que lotou o Acampar, ele repetiu as palavras. “O Brasil 200 está mudando o Brasil mesmo sem candidatura à Presidência. Ninguém se lança candidato a presidente. É preciso haver convocação, um chamamento. Se não houver, nós vamos mudar o Brasil do jeito que estamos fazendo. Mas, se acontecer, com este apoio, com este carinho, com essa energia, podem contar comigo, que eu sou soldado do movimento”.