Jornalistas equatorianos sequestrados aparecem acorrentados e pedem resgate - Joabson Silva

NOVAS

04/04/2018

Jornalistas equatorianos sequestrados aparecem acorrentados e pedem resgate


Uma equipe de imprensa sequestrada na semana passada na fronteira com a Colômbia pediu ao governo do Equador que chegue a um acordo com os sequestradores, de acordo com vídeo exibido pelo canal colombiano RCN na madrugada de terça-feira, 3 (veja abaixo).

A gravação é a primeira prova de vida do jornalista, do fotógrafo e do motorista do jornal El Comercio, um dos mais influentes do Equador, sequestrados por supostos guerrilheiros colombianos dissidentes.


O vídeo de 23 segundos mostra o repórter Javier Ortega, de 32 anos, o fotógrafo Paúl Rivas, de 45 anos, e o motorista Efraín Segarra, de 60 anos, abraçados, com algemas e correntes no pescoço. Um dos reféns pede ao governo do presidente equatoriano Lenín Moreno um acordo para a libertação.

No vídeo é possível ouvir a exigência dos sequestradores – não identificados – de uma troca por “seus três detidos” no Equador para que os repórteres possam seguir “sãos e salvos” a seu país. Também pedem o fim da cooperação antiterrorista com a Colômbia.

A RCN não revelou como obteve o vídeo, nem a data ou local da gravação.

Desde o momento do sequestro – o primeiro de jornalistas equatorianos em três décadas -, os profissionais de imprensa organizam vigílias em Quito para pedir o retorno dos colegas.

Na quinta-feira, o governo equatoriano informou que estava em negociações para obter a libertação da equipe de imprensa, mas sem revelar detalhes sobre as demandas dos criminosos.

Ortega e os dois colegas foram sequestrados quando preparavam reportagens em Mataje, na fronteira com a Colômbia, região onde as autoridades dos dois países perseguem guerrilheiros que se afastaram do processo de paz com as já dissolvidas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Exército colombiano apontou os dissidentes comandados pelo equatoriano Walter Artízala, conhecido como Guacho, como responsáveis pelo sequestro. Guacho se afastou do processo de paz e permaneceu à frente de um grupo de entre 70 e 80 homens, que se desloca entre os dois países por uma área de selva que serve de rota para o tráfico de drogas.

No vídeo, um dos sequestrados dá a entender que estão fora do Equador. O comandante do Estado-Maior, general Alberto Mejía, declarou, no entanto, que não existem evidências de que os três reféns foram levados para o território colombiano, como afirma o governo equatoriano.

Os grupos dissidentes – que segundo a inteligência militar teriam 1.200 combatentes – estão envolvidos com o narcotráfico e mineração ilegal.

Reação

O governo equatoriano rejeitou a divulgação do vídeo e pediu um uso responsável da informação que não interfira nos esforços de mediação.

“O governo nacional perante a divulgação de um vídeo por parte de um meio de comunicação colombiano, no qual são expostos os três integrantes da equipe jornalística sequestrada, expressa seu profundo mal-estar e rejeição”, indicou o Executivo em comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação.

No comunicado, o governo faz uma chamada ao uso responsável da informação. “O bem-estar dos cidadãos e de suas famílias é prioridade para o nosso governo, por esta razão o uso da informação foi e seguirá sendo absolutamente responsável e coerente com os processos em andamento para a liberação de nossos cidadãos”, afirmou.

Quito pediu aos veículos de imprensa equatorianos que exerçam responsabilidade no tratamento informativo sobre o caso, ao mesmo tempo que censurou a emissão do vídeo por parte do meio colombiano.

“Rejeitamos energicamente a midiatização do vídeo por parte do canal de televisão colombiano e reiteramos o nosso pedido aos veículos de imprensa nacionais para um uso responsável e correto da informação, que não lese os familiares e nem afete de modo algum o processo de investigação”, insistiu o governo.

Por fim, o Executivo equatoriano afirmou que “realiza todos os esforços necessários, através das unidades especializadas” para conseguir a libertação dos três cidadãos capturados há mais de uma semana.