Parlamentares: caros, improdutivos e desconectados - Joabson Silva

NOVAS

15/06/2018

Parlamentares: caros, improdutivos e desconectados


Estamos em eterna construção. Reflexão e autocrítica são fundamentais no processo de amadurecimento. Esse exercício nem sempre recebe a atenção devida, o que é uma pena. Em se tratando de política, então, é até um crime.

Recente pesquisa do Datafolha mostrou que 68% dos eleitores não confiam nos partidos políticos. Há uma crise de representatividade que denuncia um sistema com sérias fraturas em sua fundação.

Antes fosse só a corrupção. Mas há um cenário repleto de incertezas puxado pela recuperação capenga da economia, pelo desgoverno em curso, pelo avanço da violência, pela paralisia do Congresso e indisposição desse mesmo Congresso para mudanças estruturantes. A máquina pública é inchada, cara e não dá o resultado que se espera dela.

Em um ano, deputados federais e senadores têm de oito a dez semanas produtivas. O levantamento é da Associação Contas Abertas que botou as despesas dessa turma na ponta do lápis e chegou a um número impressionante: Câmara Federal e Senado custam R$ 28 milhões de reais por dia.

Isso causa um mal-estar geral na população que continua a ser ignorado pelos que estão na briga pela manutenção ou pela conquista do poder. Em linhas gerais, faltam conexão e compreensão em torno do que é prioridade para o povo. O resultado disso é o afastamento certo. E quanto maior o distanciamento entre um e outro, mais difícil um remédio que anule seus efeitos.

Em entrevista à Band News FM Manaíra, o tucano Pedro Cunha Lima (PSDB) abordou o tema e criticou os pré-candidatos à presidência. Deputado federal e pré-candidato à reeleição, Pedro não poupou sequer o companheiro de Partido, Geraldo Alckmin: “ninguém conseguiu compreender os anseios da sociedade nem perceber o que o Brasil está vivendo”, disse. Ele cobrou um posicionamento claro e radical desses personagens sobre o corte de despesas e a adoção de um orçamento mais curto a partir de 2019.

É dessa reflexão que falo. E dessa autocrítica. Partidos e candidatos precisam reavaliar seus posicionamentos a fim de retomar o fio da relação com o eleitor. Ou isso, ou essas eleições vão ser um grande fiasco com um a zero no placar para a zebra da competição.