Quatro anos após desastre em Mãe Luiza, moradores se sentem injustiçados - Joabson Silva

NOVAS

19/06/2018

Quatro anos após desastre em Mãe Luiza, moradores se sentem injustiçados


Fortes chuvas atingiram o município de Natal há 4 anos atrás. No dia 14 de junho de 2014, um deslizamento de terra destruiu 29 residências no bairro de Mãe Luiza, na Zona Leste da cidade. O desespero tomou conta das 41 famílias que ficaram desabrigadas e foram prejudicadas pelo desastre natural.

Mesmo após 4 anos do ocorrido, muitas famílias ainda aguardam as providências da Prefeitura e vivem através do auxílio do Aluguel Social, um benefício garantido pelo Governo, que fornece amparo financeiro aos núcleos familiares que passaram por acidentes ou prejuízos decorrentes de desastres naturais.

A Lei nº 8.742/93, determina a base Legislativa do auxílio, que garante benefícios que sejam necessários para amparar indivíduos que se encontrem em “vulnerabilidade temporária”. Logo, o Decreto nº 6.307/07 garante o pagamento do benefício aos cidadãos e famílias que se encontram vulneráveis ou em situação de calamidade pública.

Uma das pessoas que recebeu o benefício foi o fotógrafo Wilson Barbosa, que viu sua própria residência e outras 9 de sua família e parentes serem engolidas, total ou parcialmente, pela cratera. Junto foi também seu estúdio fotográfico e o comércio de sua mãe, que existia há 55 anos. Ele relata que conseguiu escapar junto de seus familiares usando apenas a roupa do corpo. Desde então, foi iniciada uma batalha não só para superar o ocorrido, mas também para conseguir justiça.

O fotógrafo diz que recebeu o primeiro auxílio financeiro após 3 meses da tragédia. Com a perda do comércio da sua mãe e do seu estúdio particular, que estava em funcionamento há apenas 2 anos, na época, Wilson teve, praticamente, que começar do zero.

Nos últimos 4 anos, foram 7 mudanças. Por muitas vezes Wilson teve que sair do lugar onde morava de aluguel pelo atraso dos benefícios pagos pela prefeitura. E ele não foi o único. “Parece que isso varia de gestão para gestão. Houve a gestão de um certo secretário que chegou a atrasar 4 meses. E foram dias bem complicados porque muita gente foi expulsa de casa mesmo. Porque quem aluga quer receber”, diz.

De acordo com o fotógrafo, os pagamentos estão sendo regulados com a última gestão, que vem pagando mensalmente. No aguardo do conjunto habitacional que será construído no bairro, a família de Wilson acha injusto não receber o proporcional do que foi perdido.

“Tinham pessoas que perderam suas casas, casas pequenas, pois não tinham muitas condições. Já nós perdemos muito mais do que isso. Perdemos tudo. Nosso comércio, o que o nosso trabalho nos proporcionou. Então, para nós, para nossa família, um auxílio não compensa o que perdemos”, afirma Wilson.

Sua mãe, Maria Lourdes Torres, de 77 anos, não pensa diferente. “Foram 4 anos. Eu, com meu comércio, imagina o que não teria lucrado nesse tempo. Eu vendia de tudo. Meu comércio era o mais antigo do local. Eu nunca paguei aluguel e hoje não temos quase nada”, afirma.

Wilson é conhecido como o porta-voz da comunidade, pois, por muitas vezes representou as vítimas do desastre. E ele afirma que é difícil crer nas promessas da Prefeitura, já que por 4 anos, ouviu inúmeras que não foram cumpridas. Durante 4 anos, as 41 famílias aguardam das autoridades muito mais do que apenas um amparo financeiro. Eles querem justiça. E Wilson promete que as vítimas não irão se calar. “Eu vou lutar e ficarei no pé deles enquanto eu viver”, conclui.

O secretário de Habitação de Natal, Carlson Gomes, afirma que as 41 famílias prejudicadas na tragédia de Mãe Luiza recebem o benefício que, pela Lei, é de, no máximo, R$ 500,00 por mês e deve ser pago pelo período de 12 meses. A Prefeitura de Natal ainda ampara algumas das famílias atingidas pelo desastre.

Segundo o secretário, os auxílios estão “rigorosamente em dia” e acontecem “normalmente no dia 20 de cada mês”. Carlson afirma que os atrasos não acontecem mais.

A família de Wilson e outras 12 aguardam a construção da unidade habitacional que, de acordo com a secretaria de Habitação, poderá estar pronta daqui há um ano, caso “tudo dê certo”. A proposta para a construção da unidade já foi aprovada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, no Ministério das Cidades, e hoje aguarda a liberação da Caixa Econômica para ser posta em ação. A Prefeitura, por sua vez, abrirá um edital para a seleção da empresa que irá trabalhar na construção.

Agora RN