PM condenado por matar advogada deve ser expulso da corporação e transferido para Alcaçuz - Joabson Silva

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31/07/2018

PM condenado por matar advogada deve ser expulso da corporação e transferido para Alcaçuz


O soldado da PM potiguar Gleyson Alex de Araújo Galvão, condenado na semana passada a 20 anos de prisão por ter matado a pauladas sua ex-namorada, a advogada Vanessa Ricarda de Medeiros, de 37 anos – deve ser expulso da corporação. O crime aconteceu em fevereiro de 2013 dentro de um motel na cidade de Santo Antônio, distante 70 quilômetros de Natal. Gleyson ainda deve deixar o batalhão onde está preso, em Mossoró, na região Oeste do estado.

As determinações para a perda do cargo público e da transferência para um presídio comum são da juíza Marina Melo Martins Almeida, em complemento à sentença inicial. Advogado e assistente de acusação, Emanuel de Holanda Grilo explicou ao G1 que a sentença proferida no dia do júri não havia determinado essas medidas, levando o Ministério Público a apresentar embargos. “E que agora levaram a juíza a suprir essas lacunas”, complementou.

Segundo a própria PM, Gleyson deve ser transferido para a Penitenciária Estadual de Alcaçuz assim que o comando for notificado da decisão. Alcaçuz fica em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal. Maior unidade prisional do Rio Grande do Norte, a penitenciária foi reformada após o massacre de 26 detentos, ocorrido em janeiro de 2017. Lá, existem celas reservadas para ex-agentes da segurança pública.

Gleyson foi condenado pelo crime de homicídio triplamente qualificado, cometido por motivo fútil através de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena foi de 18 anos, acrescida mais um ano devido ao meio cruel e, outro ano, devido ao crime ter sido cometido contra uma mulher. O julgamento foi presidido pela juíza Tatiana Socoloski na comarca de Santo Antônio, distante 70 quilômetros de Natal.

Gleyson tem 39 anos. Ele foi preso no dia 14 de fevereiro de 2013, logo após o assassinato.

Sanidade mental

Gleyson deveria ter sentado no banco dos réus em novembro de 2016, mas o júri popular acabou adiado porque o Ministério Público solicitou uma nova avaliação psiquiátrica do policial. Em julho do ano passado, o juiz Rafael Barros Tomaz do Nascimento determinou que o soldado fosse submetido a um exame de sanidade mental. O teste chegou a ser marcado para o dia 15 de agosto, mas acabou não sendo feito porque a defesa de Gleyson alegou que ele havia surtado, tendo sido necessário interná-lo com urgência no Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado, em Natal.

Já em abril deste ano, um laudo de sanidade mental realizado pela perícia psiquiátrica do Hospital Naval de Natal, também feito a pedido do MP, concluiu que o PM sabia o que estava fazendo, pois "era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento".

O assassinato

Vanessa Ricarda de Medeiros foi morta na madrugada de 14 de fevereiro de 2013 na cidade de Santo Antônio, distante 70 quilômetros de Natal. Funcionários do Motel Cactus, onde a advogada foi espancada, acionaram a guarnição depois que escutaram uma discussão do casal. “Eles ouviram a mulher gritando e nós fomos chamados”, contou o tenente Everthon Vinício, do 8º Batalhão da PM, à época do crime.

De acordo com a acusação, Gleyson ficou chateado com o fato de a advogada ter se recusado a fazer sexo com ele na frente de uma outra pessoa. "Assim, ele atacou a vítima de surpresa, desferindo pauladas em sua cabeça", relata a denúncia feita pelo Ministério Público. Ainda de acordo com o MP, "ficou evidenciado o motivo fútil, a utilização de meio cruel e a utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima como qualificadoras do crime de homicídio".

O PM foi encontrado na área comum do prédio onde funciona o motel. Ele apresentava sinais de embriaguez e manchas de sangue pelo corpo.

Ao entrarem no quarto, os policiais encontraram a advogada desacordada e ensanguentada. “O rosto dela estava bastante desfigurado e os objetos do quarto revirados”, relatou o delegado Everaldo Fonseca.

O corpo de Vanessa foi enterrado no cemitério público da comunidade de Santo Antônio da Cobra, na zona rural de Parelhas, na região Seridó.