Candidatos ao Governo defendem integração de polícias em debate sobre segurança - Joabson Silva

NOVAS

23/08/2018

Candidatos ao Governo defendem integração de polícias em debate sobre segurança


Segurança pública foi o tema central do debate entre os candidatos ao Governo do RN no final da quarta-feira (22), o segundo realizado nesta campanha. Robinson Faria (PSD), que levantou a bandeira da segurança na campanha que o elegeu governador, em 2014, foi a único ausente no evento. Todos os demais convidados falaram ao menos uma vez em integração das polícias, apesar de apresentarem posições diversas sobre os temas que envolvem a violência.

Transmitido ao vivo pela TV União, o debate foi realizado no Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-RN) e promovido pelo Fórum de Segurança Pública no Rio Grande do Norte (Forseg-RN), que é composto por policiais civis, militares, federais, rodoviários federais, agentes penitenciários, bombeiros militares, guardas municipais e agentes de trânsito.

Os participantes responderam questões elaboradas pelos integrantes do Fórum, que apresentaram diversas estatísticas, e perguntaram uns aos outros.

A candidata Fátima Bezerra (PT) enfatizou a valorização dos profissionais da área e chegou a propor seguro de vida e plano de metas e bonificações. Ela mencionou a importância de requalificação permanente além da realização gradativa de concurso público, apontando que a Polícia Civil tem um efetivo com cerca de 1400 pessoas quando deveria ter 5 mil.

“Precisamos garantir a regularidade dos instrumentos básicos desde o fardamento ao colete e à pistola. Uma política de segurança eficiente pra tornar o estado seguro, gerar emprego e inclusão social”, disse a candidata, que propõe também “investimento pesado em inteligência” para a elucidação dos crimes e ressaltou a necessidade das políticas de prevenção, voltando-se para setores básicos como saúde e educação.

“Quem não sabe ouvir não sabe governar”. A fala é do candidato Carlos Eduardo Alves (PDT), que prometeu ouvir as categorias. “Consideramos que diante de estatísticas tão ruins que levam o policial a perder a vida, a adoecer, creio que tem que nascer daí a proposta de seguro de vida e de assistência de saúde ao policial militar. Acredito que é dessa forma que vamos construir uma relação justa de respeito, apoio e incentivo”, afirmou.

Carlos Eduardo disse lembrou que quando secretário de governo projetou os presídios de Alcaçuz e Caicó e que, como prefeito de Natal, valorizou a guarda municipal com equipamentos, treinamento, fardamento e bons salários.

Essas afirmações foram duramente criticadas pelo candidato da Rede, Freitas Jr., acusando o ex-prefeito de Natal de não ter pagado o seguro de vida que já é direito dos guardas e de ter atrasado 14 meses o pagamento dos servidores. Freitas lembrou que Carlos Eduardo vetou a lei que cria a Patrulha Maria da Penha em Natal, quando os índices de violência contra a mulher são altos.

“O candidato Carlos Eduardo é totalmente diferente do prefeito que deixou o cargo em abril”, disparou.

Freitas economizou nas promessas, mas falou em reestruturação do sistema prisional. “Com a limitação de orçamento seria uma farsa dizer que iríamos criar um presídio em cada comarca do estado. Precisamos de controle pra evitar que os detentos lá de dentro comandem crimes”.

Brenno Queiroga (Solidariedade) concorda com isso e quer também otimizar os processos de investigação com tecnologia. Ele deu o exemplo de São Paulo, que após informatizar o sistema saiu da lista de estados com menor resolução das investigações.

“Atualmente no nosso estado as delegacias não são informatizadas. Temos que atuar nas penitenciárias pra padronizar os protocolos e trabalhar em conjunto com Ministério Público e Tribunal de Justiça, pra ter celeridade”, disse, mencionando ainda implementar Lei de Organização Básica.

A proposta do candidato Carlos Alberto (PSOL) disse que é criar pactos entre os municípios para debater segurança, saúde e educação. “Pernambuco criou esses pactos. Investindo em educação em tempo integral e criando o pacto pela vida. Vamos apoiar a formação de consórcios integrando guarda civil e polícias, empoderando a sociedade, o servidor público e valorizando a carreira de policiais. Isso cria um sentimento de participação, de pertencimento”, destacou.

Autonomia foi a palavra-chave do discurso de Dário Barbosa (PSTU). Foi ele quem tocou no tema da desmilitarização da polícia. “Precisamos dar autonomia às polícias e unificar ações. O problema é que o autocomando da PM quer o controle dos praças, os delegados querem mandar nos policiais civis e a Secretaria quer mandar em todos”, disse.

Desmilitarização das polícias

Dário também estende essa autonomia a questões orçamentárias. “O governo precisa de deixar de ser submisso à União. Os governadores não têm projetos para investir nem da sua receita nem dos investimentos federais. Precisa dizer à União que precisa ser investido no estado. Nós acreditamos que há condições não só de investir na polícia civil, mas em todos os operadores de segurança desse estado”, afirmou lembrando que a violência é um problema social, por isso combatido também com melhorias na educação.

Heró Bezerra (PRTB) tem opinião contrária. Ele defende combate ostensivo à criminalidade e fechamento das fronteiras do estado, com ajuda das Forças Armadas. “Nosso governo agirá com pulso firme pra combater essa corrupção que é a droga e tem gerado a criminalidade. Poder coibir de forma enérgica o tráfico em nosso estado. Nós precisamos de mais união, interação entre as policias para que assim nós possamos de forma conjunta.