Brenno Queiroga diz que é inocente em processo e promete investir em tecnologia para combater crime - Joabson Silva

NOVAS

10/09/2018

Brenno Queiroga diz que é inocente em processo e promete investir em tecnologia para combater crime


O candidato ao governo estadual do Rio Grande do Norte, Brenno Queiroga (Solidariedade) negou que tenha responsabilidade em um processo de 2008 que apura problemas em licitação do serviço púbico, durante entrevista ao RNTV1, nesta segunda-feira (10). Ele também afirmou que, se eleito, vai investir em tecnologia para combater o crime organizado, melhorar os resultados da educação e a gestão do Poder Executivo estadual.

Queiroga participou da primeira entrevista feita pela Inter TV Cabugi, afiliada da Rede Globo, com os candidatos ao governo do estado. Assista no vídeo acima. As entrevistas seguem até sexta-feira (14) e, abaixo, há o cronograma definido por sorteio.

Confira entrevista na íntegra

RNTV1 - Candidato, a gente começou o RNTV de hoje falando de uma situação que ocorre com muita frequência que é o tiroteio na comunidade do Mosquito, causado por uma guerra entre facções criminosas, que é também a principal causa de violência em todo o estado. Olhando o plano de governo do senhor, não vi o senhor falando especificamente sobre como combater essa guerra entre facções e acabar com isso. O que o senhor pretende fazer, já que não vimos nada especificamente sobre isso no seu plano de governo?

Brenno Queiroga - Nosso plano é muito objetivo nesse aspecto. Vou até pegar um eixo dele para especificar, mas, antes de dar a resposta, é importante dizer ao cidadão: existe um dado muito forte que dá uma lição muito significativa para o Rio Grande do Norte, que é a população carcerária. A população carcerária do Rio Grande do Norte e do país ensina muito aonde nós erramos. Esse dado é fortíssimo. 96% das pessoas que estão presas no Rio Grande do Norte vêm de uma comunidade socialmente vulnerável como o Mosquito. Uma comunidade que não tem saneamento, que não tem escola de qualidade, que não tem posto de saúde, que não tem iluminação pública, problemas de drenagem. 93% da população carcerária do Rio Grande do Norte não tem o Ensino Médio concluído, 86% não tem o Ensino Fundamental. Então isso demonstra com clareza que a ausência do poder público é um forte fator indutor da criminalidade. A ausência da educação de qualidade é um forte fator indutor da criminalidade. Para combater a violência, para combater a insegurança no Rio Grande do Norte, nós temos três eixos básicos. O primeiro é estancar essa fábrica de vulneráveis que se tornou nossa sociedade. Temos que combater isso. Como? Com Educação de qualidade, que a gente pode falar mais à frente, com saúde pública para apoiar o cidadão na hora que ele mais precisa e, principalmente, gerando emprego e renda pro cidadão. E quando eu falo de emprego e renda, é importante que seja dito, 85% dos empregos do Rio Grande do Norte são gerados pela iniciativa privada. Apenas 5% é gerado pela máquina pública. E a máquina pública não está conseguindo pagar seus salários. Quem é que vai gerar emprego e renda para o cidadão e para o jovem não ir para o mundo do crime? A iniciativa privada. Então, nós temos que estancar primeiro essa fábrica de vulneráveis. Aí vamos agora para outro ponto, porque são três eixos básicos para resolver a insegurança do Rio Grande do Norte: redução da impunidade. Apenas 3% dos crimes do Brasil são investigados. Apenas 8% dos homicídios são esclarecidos. Então para o bandido é bom. Ele sai, rouba, mata e provavelmente não vai ser pego. Quando ele é pego, ele é solto, porque o processo que instruiu sua prisão não foi bem feito, bem confeccionado e o juiz não tem como mantê-lo preso. Qual é o caminho para resolver isso? E vou falar de crime organizado também nesse momento. Eu não sou de inventar a roda, eu não estou aqui para criar ideologias, para fantasiar. Quem foi que fez e deu certo? Quem estava numa situação igual à do Rio Grande do Norte e conseguiu dar a volta por cima? Eu vou pegar um exemplo bom, que o número é igual. O Estado de São Paulo há 10 anos atrás era o terceiro estado mais violento desse país. Hoje o estado de São Paulo é o menos violento. O Rio Grande do Norte há 10 anos atrás era o terceiro estado menos violento do país. Hoje é o mais violento.

RNTV1 - Essa é uma comparação que o senhor está fazendo com São Paulo, mas em São Paulo não existe mais essa guerra de facções, porque só existe uma facção e isso talvez explique mais a redução dos crimes do que uma política pública de combate à insegurança.

Brenno Queiroga - Na verdade, São Paulo acertou muito na questão da política de combate à insegurança. Santa Catarina também. Existem vários exemplos que deram certo. Mas eu vou pegar o exemplo de São Paulo, porque é um exemplo prático, que mostra na realidade como funciona. São Paulo é o menos, o Rio Grande do Norte hoje é o mais. O que é que eles fizeram que nós não fizemos? São Paulo informatizou o procedimento de investigação. As provas, quando você está investigando, são intuitivas. Elas vêm para a mão do investigador, os dados, a forma de se proceder o inquérito, o prazo de cada parte do inquérito. Quando é um crime organizado, a delegacia de crimes financeiros entra para dentro do processo, porque a melhor forma de combater o crime organizado é quebrando as pernas dele bloqueando recursos, bloqueando contas, bloqueando patrimônio, é o melhor jeito. Quando você começa a fazer isso com muita frequência, o crime organizado vai para outro estado, porque ele está perdendo patrimônio.

RNTV1 - No caso ele veio para cá....

Brenno Queiroga - No caso, ele veio para cá. É o que nós vamos mudar no nosso governo.

RNTV1 - Candidato chama a atenção, o senhor fala no seu plano de governo em vários momentos sobre tecnologia, sobre aplicativos, sobre programas, como o senhor acabou de citar. Mas não cita concurso público, por exemplo, para a Polícia Militar. Hoje é reconhecido pelos próprios órgãos de segurança que a gente tem metade do efetivo que deveria haver. Não precisa de mais policial, na avaliação do senhor?

Brenno Queiroga - Precisa. Sem dúvida que precisa. Agora é importante, que eu diga isso. Antes de eu concluir, em segurança também temos que atuar nas nossas universidades do crime, nas nossas penitenciárias. Temos que implementar os protocolos internos de funcionamento para que as nossas universidades do crime parem de formar mais bandidos profissionais. Agora vamos para a questão da polícia, do concurso público. Concurso público na Segurança é fundamental e necessário. Porém concurso no Rio Grande do Norte, em qualquer prefeitura, em qualquer estado, você tem que primeiro organizar. Nós temos mil policiais cedidos. Temos que trazer os policiais para a máquina da Segurança. Nós temos diversos policiais fazendo serviços meio. Policiais que ao invés de estarem atuando no policiamento ostensivo ou na investigação, policial civil, ele está atuando como despachante. Quando um policial prende um bandido no Rio Grande do Norte, hoje, ele vai em uma viatura em seis órgãos diferentes protocolar papel para manter esse bandido preso, que depois de poucos dias é solto porque o processo demorou tanto que o advogado solta o bandido e o juiz não consegue mantê-lo preso. Em São Paulo isso é num clique, Santa Catarina também, é num estalar de dedos. No mesmo momento, é todo mundo comunicado, todo mundo tem seu prazo para devolver essa informação. Então nós temos que primeiro organizar a casa, uma política de recursos humanos. Quando você organiza, você vê, olha, aqui está faltando tantos policiais. Mas hoje esse dado é impreciso. E num estado que não está pagando a sua folha, falar em concurso hoje é irresponsabilidade. E eu não estou aqui para mentir.

RNTV1 - O senhor não concorda que a expectativa da população é por uma resposta muito mais imediata? A gente acabou de mostrar aqui as pessoas voltando na contramão, na Felizardo Moura e a proposta que o senhor mostra ai é mais de organização, de investimento, de modernização. O que seria uma resposta imediata, no primeiro ano de governo?

Brenno Queiroga - Essa é a resposta mais imediata possível. Imagine que uma cada viatura consegue virar uma delegacia, sem que você tenha que ir a uma delegacia.

RNTV1 - Como viabilizar essa proposta, que está no plano de governo do senhor?

Brenno Queiroga - Isso é simples de fazer. Demora, mas não é um procedimento complexo. É uma licitação de um sistema de um software de internet nas delegacias, de contratação de computadores, de capacitação dos policiais, é uma contratação de gera economia. Tecnologia não é gasto, tecnologia gera economia. Eu vou dar um exemplo prático de como economia gera economia. E ai eu falo de policiamento ostensivo. Eu fui prefeito de uma cidade que nas primeiras compras de medicamento eu gastava R$ 25 mil e faltava na metade do mês. No terceiro mês eu botei um software de gestão que era gratuito, do governo federal. Comprei um computador por R$ 2 mil. Passei a gastar R$ 15 mil e nunca mais faltou medicamento. Então gera economia. Tecnologia é bom, é importante. As empresas públicas e privadas que deram a volta por cima têm muita tecnologia. Aqui. A TV Cabugi é um exemplo. Cada sala dessa tem tecnologia, tem sistema, tem gestão, tem prazo, vocês se comunicam muito facilmente. Porque o estado do Rio Grande do Norte tem que ser no tempo do papel ainda? Para o povo sofrer? Para ter favoritismo? Para a politicagem continuar? Para continuar os privilégios, as regalias, trocando favorizinhos dentro da máquina pública por voto na campanha?

RNTV1 - O senhor foi prefeito de Olho D'água dos Borges e cita em alguns momentos cases que o senhor usou lá, mas o senhor não conseguiu ser reeleito no seu município. Como convencer o eleitor do Rio Grande do Norte que o senhor pode fazer uma boa gestão no estado?

Brenno Queiroga - Tem um fato importante nisso. Eu não fui reeleito, mas eu tinha 80% de aprovação.

RNTV1 - Mas não foi reeleito...

Brenno Queiroga - É. Porque? É por isso que sou candidato a governador do estado. Quando eu fui prefeito eu fiz exatamente o que estou me propondo a fazer no governo do estado. Eu cortei de dentro da máquina pública todos os privilégios, todas as regalias, todos os desperdícios, enxuguei a máquina pública. Eu tinha uma creche com inglês, com informática, com tempo integral, com merenda premiada, inaugurei 25 obras, fui o primeiro município que informatizou 100% da Saúde. Sai de lá com aprovação enorme. Agora, eu não fui eleito porque não quis. Eu tinha mais de R$ 20 milhões em obras. Se eu fizesse isso aqui (estalo nos dedos) eu tinha dinheiro para comprar campanha, para gastar na campanha. Não quis fazer isso. Toda a velha política do município se juntou contra mim e eu quis ir até o fim sem dar um centavo, sem comprar um voto. Fui honesto, fui correto. Eu faço parte de uma nova geração de políticos desse estado que está querendo mudar a política do Rio Grande do Norte.

RNTV1 - E o que foi que fez o senhor mudar? Porque o senhor está dizendo que não quer coligar com partidos tradicionais, com oligarquias, mas o senhor era do PMDB (agora MDB) que é um partido com força política muito grande aqui no estado há muito tempo. Um dos mais tradicionais do país.

Brenno Queiroga - Você concorda que para mim, Brenno, era muito mais fácil continuar no partido. Ter espaços, cargos, privilégios, eu poderia estar no partido. Eu quero mudar isso. Essa velha política que destruiu a história do Rio Grande do Norte, que tornou o nosso estado o estado mais violento do país, a terceira pior educação de Ensino Médio desse país, um estado em que 60% das estradas estão em péssimas condições, o estado que o salário está atrasado, isso é um conjunto de décadas dessa velha política. Eu quero mudar isso, eu e outro grupo de pessoas. O nosso partido não é um partido pequeno, é novo, mas não é pequeno. Nós já estamos em 150 cidades no estado, já temos 90 mandatos, o Solidariedade tem o mandato do nosso deputado estadual Kelps Lima que é um orgulho pra gente fazendo oposição, tem a candidatura de Magnólia Figueredo ao Senado, a candidatura de Brenno Queiroga ao governo e a do delegado Sérgio Leocádio, que é meu vice, que é da área de segurança, que tem 30 anos de experiência. Enfim, nosso partido é um partido que se estruturou. E se você conhecer os times, nós vamos eleger três deputados estaduais, nós vamos eleger um deputado federal e tudo com esse mesmo perfil: pessoas que no seu histórico de vida, tem resultado para mostrar, não é falácia. A grande maioria deles nem teve mandato ainda, mas tem histórico de vida como gestor da iniciativa privada, como servidores públicos, pessoas competentes e capazes para fazer essa mudança que a política precisa no nosso estado. Eu resolvi, ao invés de aderir aos velhos projetos, que era mais simples para mim, ou ficar reclamando em casa pelas redes sociais, fazer a mudança. Estou aqui colocando a minha cara a tapa para fazer a mudança que o estado precisa.

RNTV1 - Candidato, em uma pesquisa mais antiga, do senhor como engenheiro, seu nome aparece como réu em um processo de 2008, referente a uma obra de Jardim de Piranhas, sobre uma obra de pavimentação. Teria sido uma licitação viciada com superfaturamento de algo em torno de R$ 60 mil. O seu nome aparece para devolução desse dinheiro. Como o senhor responde a isso?

Brenno Queiroga - Eu sou o engenheiro desse estado que tem mais projetos públicos registrados. Eu já fiz mais de dois mil projetos para 70 municípios desse estado. Um desses projetos meus foi utilizado em um processo que o Ministério Público questionou. Eu não tive oportunidade nem de me pronunciar quanto a isso. Eu tenho certeza que quando eu me pronunciar, eles tiram. A justiça tardia é injustiça. Então você é acusado em um processo desse, se tiver tempo de se defender e julgar, viva. Se não, fica lá seu nome até que tire. O problema é que nas contratações de obras públicas, a licitação tem problema. Mas o projeto não tem. E a fiscalização não tem, mas na licitação tem. Eu não tenho nada a ver com licitação. Ou eu fiz o projeto, ou eu fiz a fiscalização.

RNTV1 - Mas seu nome está lá para devolução dos R$ 60 mil.

Brenno Queiroga - Exatamente porque eu não tive oportunidade ainda de fazer isso. Na hora que tiver, com certeza sai. Agora é interessante que se diga: de dois mil projetos que eu já fiz para o estado, um está dentro de um processo que está sendo questionado. É sinal que meu histórico de vida prova com clareza minha lisura. Quando eu fui prefeito do meu município, atuou na minha comarca uma promotora chamada Lívia, era muito atuante. Essa promotora fez diversas operações em vários municípios, inclusive prendendo ex-prefeitos, prendendo pessoas na região. Ela mandou 150 provocações para Olho D'água dos Borges. Sabe quantos processos ela abriu contra mim, na minha gestão. Fui eleito pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público como o terceiro município mais transparente desse estado por dois anos consecutivos.

RNTV1 - O senhor chegou a ser afastado do cargo, teve o mandato cassado pelo TRE por compra ilícita de votos e abuso de poder econômico e político...

Brenno Queiroga - Passei 15 dias fora. Ganhei em primeira instância. A sentença do juiz era melhor que a minha defesa. O Ministério Público fez parecer favorável a mim. Quando veio para o TRE, o Ministério Público continuou favorável a mim, o relator era favorável a Brenno Queiroga. Eu não sei por que motivo, até hoje nunca consegui entender, eles me cassaram. Com 5 duas eu recorri em Brasília, voltei e ganhei o processo. Esse processo eu já ganhei. Já foi jugado e esclarecido, graças a Deus.

RNTV1 - Como o senhor pretende tirar o Rio Grande do Norte dessa posição de terceiro pior estado do país do Ideb em relação ao Ensino Médio? No seu programa, o senhor afirma que quer melhorar em 75% o resultado do Ideb a partir de cinco anos, mas isso ultrapassa o tempo de um mandato.

Brenno Queiroga - A Educação é uma construção de curto, médio e longo prazo. Não é do dia para a noite e é um trabalho longo. Nós temos diversas prentes para atuar na educação. Um problema muito sério da nossa educação são nossas escolas, com infraestrutura precária - metade das escolas em péssimas condições de manutenção. Nós temos que atuar em duas frentes nessa questão da infraestrutura. Primeiro um banco de projetos estruturantes para captar recursos em Brasília, para poder colocar esses recursos e recuperar essas obras. Em Brasília tem dinheiro para Educação. Eu digo isso porque, como engenheiro, eu já trouze mais de dois mil projetos para cá, vários para a educação. Nunca mandei um projeto para o FNDE para não ser aprovado. Então tem recurso, o que não tem é projeto. Alguns recursos têm que ser imediatos, algumas escolas têm que ser com recursos próprios. Esse é o primeiro ponto em estrutura física. O segundo ponto: tecnologia e gestão da máquina pública da educação. Não existe tecnologia na gestão. Nós temos aqui exemplos maravilhosos como o Sigaa, da UFRN, aquele sistema de gestão da universidade, que deve ser implementado nas escolas estaduais. Infelizmente não foi feito isso ainda e gestão na educação a gente tem muito desperdício de recurso. E capacitação continuada dos nossos professores, com valorização dos professores. A UERN é uma ferramenta importante pra gente.

RNTV1 - Ela é prioridade no governo do senhor? Porque o estado tem obrigação de garantir o Ensino Médio, que não está sendo feito como deveria, e tem um orçamento de R$ 300 milhões por ano para a UERN. O Estado pode manter o ensino superior, se não consegue fazer a sua obrigação no ensino médio?

Brenno Queiroga - A gente deixa claro, não só na UERN, mas em todos os 130 CNPJs da administração pública direta e indireta do estado, o que vamos fazer. Em todas as 600 escolas, em todas as mil unidades de atendimento. Nós vamos informatizar, implementar sistemas de gestão integrada para reduzir a economia a exemplo do que eu disse há pouco na farmácia básica de Olho D´água dos Borges. A UERN tem capilaridade e passa a ser no nosso plano governo um centro de excelência de formação continuada dos nossos professores do Ensino Médio e também dos municípios, com esse valor de R$ 300 milhões. Ela tem que enxugar, não só a UERN. Todo o Rio Grande do Norte tem que enxugar seus privilégios, seus desperdícios, suas regalias, temos que enxugar. Agora, a UERN passa a ter uma fonte de recursos. O Fundeb tem dinheiro para capacitar nossos professores. Isso é muito importante. Nós temos 15 mil professores vinculados à rede estadual de ensino. Apenas 8 mil estão em sala de aula. Nós temos como trazer esse professor para a sala de aula, ampliar a matrícula de tempo integral e, quando você muda uma turma de tempo regular para uma turma de tempo integral, você aumenta em 60% o repasse do Fundeb dessa turma. Uma turma de Ensino Médio com 30 alunos passa de uma receita de 12 mil para 18 mil, com a mesma mão de obra que hoje nós já estamos pagando. Então tem caminhos para resolver o problema da educação do Rio Grande do Norte.

RNTV1 - Falando de recursos ainda, a gente tem no Rio Grande do Norte um histórico recente de problema de pagamento do funcionalismo. E entre as propostas do senhor, tem uma de bonificação tanto para a unidade, o departamento, como para o servidor. De onde virá esse dinheiro? Tem dinheiro?

Brenno Queiroga - Metas claras e gratificadas. O Estado tem que se enxugar, tem que se reduzir. Toda secretaria do estado do Rio Grande do Norte tem 5 setores em comum. Você pode juntar quatro secretarias em uma só e você economiza quase 60 setores. O que tem de prédio alugado nesse estado a R$ 60 mil para uma secretaria que não tem resolutividade quase nenhuma, não é brincadeira. Nós temos onde cortar. Agora, Breno Queiroga, na candidatura independente que nós construímos, dentro do projeto sério que nós estamos fazendo, tem independência para fazer esses cortes. Os outros partidos estão amarrados à velha política e às campanhas caras.

RNTV1 - Como o senhor pretende resolver o problema em relação ao Hospital Walfredo Gurgel que acaba refletindo a falta de regionalização de hospitais do estado?

Brenno Queiroga - A Saúde é um grande problema de logística. Existem as redes de atenção à saúde. É um programa federal, é uma legislação antiga, que já foi implementada na Paraíba, no Ceará, mas no Rio Grande do Norte não é implementada. Quando você sofre um acidente em Olho D'água dos Borges, vai para o hospital de Olho D'água que não tem resolutividade nenhuma, vai para o Hospital de Caraúbas que também não tem como fazer uma cirurgia, vem para Mossoró, já está superlotado, ai falta algum insumo. Termina vindo para Natal. Chega aqui, superlota a fila do Walfredo, termina morrendo no corredor, se der sorte de não ter morrido no caminho até aqui, ou fica deficiente porque não teve uma cirurgia. Como é que funciona na Paraíba, do lado. Na Paraíba você sofreu um acidente na moto, a ambulância do Samu lhe pega, leva para o hospital regional de referência que já tem capacidade de resolução, resolve, e volta para a sua cidade. Uma economia de gasto e qualidade de atendimento ao cidadão. Gestão. O problema não é questão financeira. É gestão.