Carlos Eduardo nega recebimento de propina em entrevista - Joabson Silva

NOVAS

11/09/2018

Carlos Eduardo nega recebimento de propina em entrevista


O candidato ao governo estadual do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo (PDT), negou que tenha recebimento propina em forma de doação de campanha, em troca de autorização para o aumento da tarifa de ônibus de Natal, enquanto prefeito de Natal. Em entrevista ao RNTV 1ª Edição nesta terça-feira (11) o candidato ainda prometeu ajustar as contas do Estado para colocar os salários dos servidores públicos em dia.

Carlos Eduardo participou da segunda entrevista feita pela Inter TV Cabugi, afiliada da Rede Globo, com os candidatos ao governo do estado. Assista no vídeo acima. A rodada, que foi aberta nesta segunda-feira (10) com Brenno Queiroga (Solidariedade), segue até sexta-feira (14). Abaixo, há o cronograma definido por sorteio.

Confira entrevista na íntegra

RNTV1  Candidato, eu queria começar perguntando sobre um inquérito aberto pelo Ministério Público, nós noticiamos ontem, imagino que pegou o senhor de surpresa. Esse inquérito vai apurar se o senhor recebeu em forma de doação eleitoral, alguma propina de um empresário do setor do transporte público. O senhor recebeu doação do empresário, de que o Ministério Público vai investigar?

Carlos Eduardo  Eu fui prefeito 12 anos de Natal, quatro vezes. Nunca recebi sequer uma denúncia dessa. Nunca. Estranho que faltando 25 dias para a eleição, venha esse tipo de denúncia. Eu quero dizer que nossas contas de campanha estão abertas, dentro das regras do Tribunal Regional Eleitoral, com toda transparência e estamos absolutamente tranquilos com relação a isso.

RNTV1  Mas o senhor recebeu doação eleitoral desse empresário?

Carlos Eduardo  Não recebi nenhuma doação, está lá na minha prestação de contas. Minhas contas são públicas e não existe absolutamente nada disso. Eu creio que é mais um clima de campanha onde esse tipo de denúncia começa a aflorar. Mas as pessoas vão ver daqui a pouco que isso foi uma grande mentira.

RNTV1  Coincidência ou não, a Prefeitura de Natal abriu um edital para licitação do transporte público duas vezes. Nas duas vezes foi deserto, ninguém se interessou. O argumento dos empresários é que ficaria tudo muito caro. Porque não deu certo a licitação?

Carlos Eduardo  É exatamente isso. É uma licitação que envolve muitos recursos, envolve acima de R$ 300 milhões de investimento.

RNTV1  Mas a Prefeitura teve bastante tempo para fazer esses cálculos e tornar isso viável para os empresários, inclusive...

Carlos Eduardo  Nós mandamos o projeto à Câmara, que foi modificado e depois foi devolvido para que a gente fizesse algumas correções, sugestões que a própria Câmara fez. Depois isso foi analisado pela equipe técnica, voltou para a Câmara. O fato é que em todos os momentos a Prefeitura não agiu de uma forma devagar, sem o dinamismo necessário para um projeto tão importante. É que na realidade é um projeto grande, que envolve muitos recursos, então a gente tem que primar pela transparência, cumprir a burocracia, que não é pequena. Mas na realidade é um processo irreversível, que a Prefeitura, independe de que eu seja o prefeito, ou o atual, inevitavelmente vai ter que fazer.

RNTV1  Se não foi interessante para os empresários a Prefeitura errou em algum ponto, ao não tornar viável aos empresários?

Carlos Eduardo  Não. A Prefeitura obedeceu a lei e, na realidade, os empresários é que se interessam ou não pelo certame licitatório. Houve duas licitação, salve engano, que deram vazias, porque não interessava aos empresários aquele tipo de licitação. Ou seja, os critérios estabelecidos ali, economicamente eram inviáveis para os empresários do Rio Grande do Norte e do Brasil, porque é uma licitação nacional.

RNTV1  A gente vive um momento de descrença na política, como um todo. E o senhor falou na última campanha para Prefeito que iria cumprir seu mandado até o fim. De repente o senhor mudou de ideia e é candidato ao governo. O senhor não teme que o eleitor que entenda que o senhor não cumpriu o que prometeu e entrar nessa vala comum da descrença?

Carlos Eduardo – Duas coisas: primeiro, eu tenho 30 anos de vida pública e nunca respondi a nenhum inquérito de improbidade administrativa e desvio ético. Segundo ponto: eu realmente disse que não sairia. E no ano de 2017 continuei trabalhando, cumprindo com meu dever de prefeito, mas quando chegou no final do ano e início do ano de 18 comecei a ver convites, as pessoas me pedindo que eu fosse candidato, mostrando a situação do estado. Muitos eleitores daqui e do interior nos dizendo que nós tínhamos conseguimos resgatar Natal daquela situação que nós encontramos em 2013, uma cidade em colapso administrativo, financeiro e nos seus serviços. E nós conseguimos reerguer a cidade de Natal. Então, com essas experiência de administrar o segundo orçamento do Rio Grande do Norte, nós estávamos em condição de disputar e ajudar a resgatar o Rio Grande do Norte. Então eu acho que realmente tenho essa experiência vivida em Natal e nossa capital é uma capital de 1 milhão de habitantes, segundo orçamento, estava realmente de cabeça para baixo, e hoje é uma cidade que está ai funcionando. A cidade está limpa, a educação funciona, a saúde está funcionando, as obras de infraestrutura acontecendo, a assistência social, todos os projetos funcionando, salários em dia. A cidade está funcionando.

RNTV1  O senhor chegou a atrasar os salários em dois meses em 2016, inclusive motivando protesto de servidores...

Carlos Eduardo  Eu tive dois problemas. Quando eu assumi em 2013, os salários atrasados. Nós atualizamos. Fizemos uma reforma administrativa, tomamos medidas de cortes de desperdícios, renovamos todos os contratos com terceizados, com fornecedores, diminuimos a frota de automóveis, mexemos também mo gasto de gasolina, e com essas medidas de austeridade, nós colocamos o salário em dia. Em 2015 e 2016 o Brasil passou por uma grave crise econômica, a maior da sua história segundo os analistas econômicos. O Brasil teve um decréscimo do seu Produto Interno Bruto de quase 9%, voltamos a ter dois dígitos de inflação e 14 milhões de desempregados. E a Prefeitura sentiu isso. Não por irresponsabilidade fiscal, não por gastos perdulários, mas pela queda da receita. Então, momentaneamente, tivemos salários atrasados. Mas o que fizemos? Fizemos o ajuste fical, recuperamos a capacidade de receita do município e colocamos os salários novamente em dia.

RNTV1  Foram dois anos e meio de atraso de salário no governo do estado. No plano de governo, o senhor diz que vai organizar isso e que vai organizar a previdência. Como? Porque existe uma crise. De onde virão esses recursos?

Carlos Eduardo  Nós temos um déficit mensal no estado da ordem de aproximadamente R$ 110 milhões. Ou seja, o estado não paga os salários em dia, só paga utilizando o dinheiro dos aposentados, o que é uma bomba relógio que vai estourar mais adiante. O estado não tem um centavo para o seu custeio, e o estado não tem um centavo para investimento, nem para as áreas essenciais como Segurança, Saúde e Educação. Então, este é um Estado que está inviável, que está falido. O que é que nós temos que fazer? Nós temos que diminuir, em primeiro lugar, o tamanho administrativo do estado.

RNTV1  Todo mundo fala isso, porque parece óbvio. Mas na hora que se chega lá, estando no Executivo, o político se esquiva dessas medidas porque são antipopulares. Se precisar cortar servidor, o senhor pretende cortar?

Carlos Eduardo – Não está no nosso plano demissão. Não vamos agravar esse problema de desemprego. Mas nós já fizemos esse ajuste fiscal duas vezes na Prefeitura e colocamos o salário em dia. No Estado, não é diferente. Ninguém vai reinventar a roda. A roda já foi inventada. Nós temos realmente que diminuir o tamanho administrativo do Estado. Não vamos aumentar impostos, porque já temos uma carga tributária alta, mas vamos combater sonegação. Vamos cobrar a dívida ativa do Estado. O estado tem R$ 7 bilhões de dívidas para receber. Vamos chamar os auditores, a Procuradoria do Estado, e vamos fazer mutirões, assim como eu fiz como prefeito de Natal e deu resultado. Nós vamos fazer. E depois, que é importante também, recuperar o desenvolvimento econômico, atrair novos negócios, novos investimentos, para crescer na realidade a capacidade de pagamento de impostos no Rio Grande do Norte. É dessa forma que a gente vai melhorar a receita e, desta forma, a gente vai regularizar a situação do Rio Grande do Norte. Evidentemente que temos que negociar com os demais poderes - a sobra de orçamento, a sobra de recursos nos demais poderes.

RNTV 1 – E como seria essa negociação? Porque parece óbvio também que, se tem dinheiro sobrando no Judiciário, enfim, na própria Assembleia, se tem esse dinheiro sobrando e está faltando no Executivo, parece tão obvio, já que o dinheiro sai da conta do próprio contribuinte, de todos nós, mas na prática isso não funciona, a gente não vê esse dinheiro voltar, por exemplo, para pagar o salário do servidor que está atrasado. O senhor pretende comprar essa briga?

Carlos Eduardo – Nós chagamos a uma falência total. O Rio Grande do Norte, hoje, é o estado mais violento do Brasil. Eu acho que o novo governador terá a credibilidade e as condições de sentar na mesa com os poderes e as lideranças sindicais e empresariais do Rio Grande do Norte e propor, através da união do estado, através do diálogo, através da transparência e da persistência, tá certo, nós temos que propor um pacto de salvar o estado. Nós não poderemos ser esse estado que não paga o salário em dia, que é o aspecto mais cruel da nossa crise, o estado mais violento do Brasil por que não tem, de 2015 a 2017, caiu os investimentos na segurança da ordem de 66%. Então não há investimento. Tudo é investimento. O estado perdeu a capacidade de pagar em dia o seu servidor e de botar os seus serviços para funcionar. Não tem dinheiro para botar os serviços para funcionar. Nem segurança nem saúde. Vocês mostraram agora uma entrevista, né? Mostrando até a falta de remédios. A educação, caindo na qualidade. Fora os outros investimentos... em agricultura, em ciência e tecnologia, em cultura. Então, nós temos que sentar na mesa e propor um pacto pelo Rio Grande do Norte. Não tem sentido haver sobras de orçamento em outros poderes, e o poder que arrecada estar com o salário atrasado. O dinheiro é o mesmo. Então, eu acho que ao novo governador caberá esse papel de comando, de liderança, e de propor aos poderes e às forças de lideranças do Rio Grande do Norte, esse pacto para que a gente melhore essa situação, que resgate o Rio Grande do Norte desa situação caótica que ele se encontra.

RNTV 1 – O senhor falou aqui que se orgulha de não ter nenhuma denúncia contra o senhor nesses anos todos de carreira política, mas o senhor foi citado na operação Cidade Luz, pelos delatores da operação, que investiga desvios de dinheiro em contratos de iluminação pública aqui no município. O senhor está tranquilo em relação a essa delação? Por que, segundo os delatores, o senhor teria recebido R$ 280 mil em forma de propina para manter os contratos de iluminação.

Carlos Eduardo – Até hoje, eu nunca fui chamado ao Ministério Público e nem a nenhum órgão de controle do nosso estado para prestar esclarecimento de qualquer ação ou atitude que eu tenha tomado a frente da Prefeitura de Natal. Eu quero dizer que fui deputado estadual, secretário de estado e quatro vezes prefeito, e até esse momento não respondo e nunca respondi para trás nenhum processo de improbidade administrativa ou de desvio ético, e nem nunca fui chamado a nenhum órgão de controle, até esse momento, para explicar qualquer atitude ou qualquer ação a frente do executivo ou a frente da secretaria ou como deputado estadual. Esse é o meu dever e a minha obrigação. E eu cumpri o meu dever e minha obrigação.

RNTV 1 – Um bom exercício para o eleitor é olhar para o candidato, para a vida pregressa dele, o que ele já fez, se ele responde ou não a processos, mas também quem está ao seu redor. E, na sua coligação, tem lá o PDT, que é o partido do senhor, o MDB, o Democratas, tem o Podemos e tem o PP. E, normalmente, politicamente, a lógica é essa, que esses partidos, numa possível eleição do senhor como governador, façam parte do próprio governo. O PP é, hoje, o partido com maior quantidade de processo na operação Lava Jato. Como é que o senhor responde a isso? É esse grupo que vai fazer parte do seu possível secretariado no seu governo?

Carlos Eduardo – Veja, todos os partidos... tem poucas exceções… e o meu é uma exceção, não tem ninguém na Lava Jato até agora. E nem vai ter.

RN TV 1 – Mas o presidente do partido do senhor também é réu?

Carlos Eduardo – É, mas é um problema lá em Brasília e tal. Mas, não tem nenhum réu no nosso partido, réu da Lava Jato. Tá certo? Eu formei também vários secretariados na Prefeitura de Natal, prefeito por quatro vezes, e eu tenho, na realidade, critério. Não pode ser ninguém que responda a processos. Não pode ser ninguém que não tenha o perfil para o exercício daquela função. Então, eu acredito que, com esses critérios, nós estamos resguardando a opinião pública, ao cidadão e à cidadã que paga os seus impostos, e quer que esses impostos voltem em serviços que funcionem em favor da população, pode ficar tranquilo porque, o exmplo que eu posso dar, é a própria cidade do Natal, onde, por 12 anos, fizemos muito pela cidade do Natal… obras perenes, obras fecundas, né? Hospital, maternidades, aterro sanitário, o apoio à cultura, o apoio à educação, à saúde.

RNTV 1 – Em relação à segurança, candidato, o senhor já falou que o estado tem hoje, infelizmente, essa marca de estado onde mais se mata, a maior taxa de homicídio. Como o senhor pretende agir, sem dinheiro, que é a nossa realidade – o senhor mesmo falou que o estado está falido, para combater essa violência? Até porque, o senhor foi muito pressionado enquanto prefeito. Tivemos momentos de paralisação, de algumas crises que estado viveu com guerra de facções, uma onda de ataques a prédios públicos, a ônibus, e o senhor foi muito pressionado – até falou que não era dever do município, mas depois acabou botando a Guarda Municipal nas ruas, mas só depois de muita pressão. Como é que o senhor vê essa realidade, e como o senhor pretende fazer diferente, sem dinheiro?

Carlos Eduardo – O primeiro dever de casa, do próximo governo, é fazer o seguinte: nós temos, aqui, uma receita. E hoje temos um orçamento e uma despesa, aqui. É pegar essa esse orçamento e essa despesa e colocar aqui. Quando você coloca aqui, você paga em dia e volta a ter capacidade de investimento para fazer funcionar os serviços. Segurança só vai com investimento. Como todas as áreas da administração.

RNTV 1 – E de onde vem esse investimento?

Carlos Eduardo – Eu acho que a emergência do estado do Rio Grande do Norte, ganhando a eleição, nós temos que começar na semana seguinte. Antes, tá certo, muito antes da posse, a trabalhar, a começar essa negociação com os demais poderes, com as forças de lideranças do Rio Grande do Norte. Eu tive uma experiência muito importante em 2013, quando Natal estava um caos, eu trouxe uma consultoria que tinha acabado de fazer um bom trabalho em Pernambuco para o saudoso governador Eduardo Campos, e essa consultoria nos deu, aqui, muitos caminhos, muitas medidas, muitos projetos, muitas ideias, que ajudaram a prefeitura a ser resgatada. Eu creio que nós vamos precisar de ajuda. O Rio Grande do Norte terá que ter, na realidade, união, capacidade de diálogo, com transparência, nós vamos agir com muita persistência, com muita insistência, de fazer esse equilíbrio fiscal. Olha, a Paraíba paga em dia e está fazendo os investimentos a despeito da crise nacional… Pernambuco, Alagoas, Sergipe, o Maranhão.

RNTV 1 – A segurança, pelo que o senhor está colocando aqui, não vai vir rapidamente. Já que depende de toda essa conversa, de toda essa união de forças, essa resposta então não vem tão rapidamente?

Carlos Eduardo – Mas eu creio que já haverá uma mudança. Haverá uma palavra-chave que tá faltando hoje: credibilidade. O novo governante terá a confiança, a credibilidade para chamar as lideranças do Rio Grande do Norte para sentar numa mesa e apontar uma direção. E nós precisamos disso, de união. Porque, quem está hoje sentado, e muito bem sentado e confortavelmente só analisando e se indignando com as coisas, tá chegando nele.