Proteção Animal faz alerta sobre consumo de carne suína - Joabson Silva

NOVAS

04/10/2018

Proteção Animal faz alerta sobre consumo de carne suína


Nesta quinta-feira (4) é comemorado o Dia Mundial dos Animais e para celebrar a data, a Proteção Animal Mundial (World Animal Protection) questiona o comportamento dos brasileiros em relação ao consumo de carne suína. Levantamento feito pela organização em parceria com o Instituto IPSOS aponta que a qualidade da carne é um fator determinante na compra, seguido por preço e aparência, já o bem-estar aparece apenas na sexta posição.

O fato de não haver associação entre qualidade do alimento e bem-estar é alarmante, pois fica evidente que a população não relaciona a sua saúde com a dos animais de produção. Para se ter uma ideia do processo, nas criações industrias intensivas as matrizes suínas vivem em gaiolas com dimensões reduzidas. Nestas condições, elas são incapazes de se virar, forragear, explorar, mover-se confortavelmente ou socializar com outras porcas. Esse método desencadeia problemas psicológicos e de mobilidade.

Além disso, para evitar a disseminação de doenças faz-se uso profilático indiscriminado de antibióticos, pois o estresse crônico diminui a imunidade dos animais e estes ficam mais susceptíveis a infecções. O uso abusivo destas substâncias tem feito com que algumas infecções bacterianas , também detectadas em humanos, sejam quase impossíveis de serem combatidas. O mesmo estudo indica que 76% das pessoas desconhecem esse processo produtivo.

“A saúde única, ou seja, o equilíbrio entre saúde humana, animal e ambiental, é o único caminho para termos uma alimentação melhor e mais saudável. Pedimos à população que nos apoie pressionando produtores e supermercados a mudarem o cenário da produção a baixo custo. Afinal, os animais e sua saúde estão pagando caro por isso. Outras medidas podem ser adotadas, como a redução do consumo e do desperdício, assim como a compra consciente de carne, buscando alimentos de origem conhecida”, declara Paola Rueda, coordenadora de agropecuária sustentável da Proteção Animal Brasil.

Atualmente, já existem sistemas alternativos de produção, onde os animais são criados em galpões com altos níveis de bem-estar. Neste formato, os porcos são alojados em baias, vivem em grupos e contam com enriquecimento ambiental – ou seja, com objetos adequados para interação. Neste tipo de criação, os leitões ficam menos agitados e as mutilações, como corte de cauda e dente, não são mais necessárias. Neste ambiente os suínos conseguem lidar melhor com o estresse, por isso têm melhor imunidade e por consequência faz-se menor uso de antibióticos de forma preventiva.

Desde 2017, a organização trabalha a campanha “Mude a Vidas dos Porcos” com o objetivo de incentivar as redes supermercadistas a criarem políticas e compromissos para melhorar a vida desses animais. A organização orienta os produtores a criarem as porcas, durante a gestação, em grupo e em ambiente enriquecido, fornecendo palha e/ou materiais que ajudem na criação de ninhos para que tenham seus filhotes, pois essas medidas reduzem o estresse no momento do parto.

No Dia Mundial dos Animais, a Proteção Animal Mundial convida consumidores a abraçarem a campanha e exigirem uma mudança de postura das redes de supermercados e fast-food, afinal eles têm o poder de mudar a vida de milhões de animais. Para mais informações acesse: https://www.worldanimalprotection.org.br/mude-a-vida-dos-porcos.