Zenaide Maia é a candidata mais polêmica das eleições de 2018 - Joabson Silva

NOVAS

06/10/2018

Zenaide Maia é a candidata mais polêmica das eleições de 2018


Dentre todos os candidatos que disputam uma das duas vagas para o Senado pelo RN, a deputada federal Zenaide Maia (PHS) é a que está mais cercada por polêmicas. A parlamentar teve seu nome envolvido em escândalos de servidores fantasmas; teve parentes denunciados em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro; além de deixar um rastro de transtornos para proprietários de imóveis da Coophab, da qual ela era sócio-fundadora.

Apesar de se colocar como uma candidata contra a corrupção, Zenaide viu seu sobrinho Gledson Maia ser acusado na Operação Via Ápia, de 2010, que apurou desvios de recursos de obras executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no RN. O Ministério Público Federal estima um desvio de R$ 13,9 milhões em propinas.

Em acordo de delação, Gledson acusou João Maia, irmão de Zenaide, como receptor de parte das propinas. João foi acusado pelos crimes de peculato, corrupção passiva, associação criminosa, crimes contra licitações e lavagem de dinheiro. Ele virou réu na sequência das investigações, na Operação Via Trajana, deflagrada em julho deste ano, assim como seu sobrinho Robson Maia. Gledson, por sua vez, foi condenado pela Justiça a quatro anos e seis meses de reclusão, inicialmente em regime aberto.

Outro irmão de Zenaide, Agaciel Maia teve participação no chamado “Escândalo dos Atos Secretos”, que consistiu na não publicação de uma série de atos administrativos do Senado, de onde Agaciel era diretor-geral. Ele, que é atualmente deputado distrital no Distrito Federal, foi condenado por improbidade administrativa.

Conforme a acusação, ao impedir a publicação dos atos, Agaciel e senadores que compunham a Mesa Diretora tentavam evitar que o público tivesse conhecimento sobre irregularidades como nomeação de parentes para cargos comissionados, criação ilegal de cargos e liberação de vantagens indevidas para funcionários.


Em 2005, uma “farra da família Maia” tomou conta do mesmo Senado. Três irmãos de Zenaide e do ex-deputado federal João Maia (PR), foram contratados sem processo seletivo para trabalhar no Censo Legislativo, realizado pelo programa Interlegis, do Senado. Quem teria viabilizado a contratação foi outro irmão deles, Agaciel Maia, então diretor-geral da Casa.

Foram contratados os irmãos Galbê, Zilne e Zoraide, todos Maia. O trio foi pago com dinheiro público para atuar no mapeamento de 94 câmaras municipais do RN, além da Assembleia Legislativa. O Censo era um requisito para a manutenção de um contrato de US$ 25 milhões do Senado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID.

Em setembro deste ano, a reportagem do Agora RN identificou que Zenaide empregava, em seu gabinete, pelo menos cinco pessoas que não exercem suas funções. Somando salários e auxílios, juntos eles embolsam mais de R$ 15 mil dos cofres públicos mensalmente, conforme dados retirados do portal da transparência da Câmara dos Deputados.

Dentre esses servidores, estão parentes e aliados políticos da deputada. São os supostos fantasmas: Danilo Aníbal Maia, que seria sobrinho de Zenaide; Raíssa Gabrielly Nascimento, empresária em Parnamirim; Iracyara Prudêncio, tesoureira do PHS no RN e esposa do presidente estadual do partido, Leandro Prudêncio; Amanda Vanessa Araújo, esposa do vereador de Serra do Mel, Moabe Soares; e Leda Maria Freire, irmã do prefeito de Upanema, Luiz Jairo.

Nas pesquisas, Zenaide geralmente tem se destacado na quarta colocação dos candidatos ao Senado. Contudo, especificamente na pesquisa do grupo Seta, divulgada em setembro, ela aparece na vice-liderança. Curiosamente, Ingrid Paiva, esposa do diretor-geral do Seta, Daniel Menezes, passou a ocupar um cargo comissionado em São Gonçalo do Amarante no início deste ano, ganhando um salário bruto de R$ 3,5 mil. Ela foi nomeada pelo prefeito Paulo Emídio (PR), aliado do ex-prefeito do município, Jaime Calado (marido de Zenaide).

Vale lembrar que entre duas pesquisas do Instituto Ibope (sendo a mais recente em setembro), Zenaide deu um salto de 13% nas preferências dos eleitores. Enquanto que no levantamento de agosto ela tinha 12% das intenções de voto, hoje ela tem 25%. O Ibope, em 2017, foi apontado por delatores como tendo participação nos escândalos de corrupção da Odebrecht – um dos beneficiados do esquema teria sido o ex-ministro Henrique Alves (MDB).

O número expansivo de escândalos fizeram com que Zenaide tomasse uma decisão radical em sua candidatura ao Senado. Ela retirou o sobrenome Maia de todas as suas redes sociais e materiais de campanha, temendo ser associada aos seus parentes, e minar suas chances de conseguir uma das duas cadeiras em Brasília.

Crise na Coophab

Fundada por Zenaide e por seu marido Jaime Calado, a Cooperativa Habitacional dos Servidores e Trabalhadores Sindicalizados do RN (Coophab), construiu diversos imóveis em diversos bairro de Natal e Parnamirim onde cada rua tem um nome de um país, não apenas deixaram a desejar, como ainda vem causando transtornos aos proprietários dos imóveis. Relatos dão conta que os imóveis foram construídos de maneira leviana, causando transtornos para seus moradores, que precisaram lidar com problemas contratuais e cláusulas duvidosas.

Histórico familiar


João Maia foi vice de Henrique Alves (MDB) em 2014, em sua tentativa de chegar ao Governo do RN, quando foi derrotado por Robinson Faria (PSD). Na época, Maia deixou de disputar a reeleição à Câmara dos Deputados para se dedicar à campanha de Henrique, indicando, em seu lugar, sua irmã, Zenaide.

Com Zenaide tentando uma das duas cadeiras potiguares no Senado Federal, João Maia trabalha tanto para conseguir a eleição da irmã, quanto para retornar à Câmara neste ano, ao se candidatar a deputado federal. Mada Maia, que é filha de Zenaide, também participa das articulações, assim como Terezinha Maia, esposa do atual prefeito de São Gonçalo do Amarante, Paulo Emídio (PR), que sucedeu Jaime Calado (PMB), marido de Zenaide, na Prefeitura de São Gonçalo.

A quantidade de “Maias” buscando candidaturas em meio a escândalos de corrupção fez com que o candidato ao Governo do RN, professor Carlos Alberto (PSOL) se surpreendesse e declarasse temer que surja uma nova oligarquia de “Maias” no RN.