Conselho de Administração da Petrobras aprova venda de 34 concessões em campos de petróleo do RN - Joabson Silva

NOVAS

29/11/2018

Conselho de Administração da Petrobras aprova venda de 34 concessões em campos de petróleo do RN


O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, na terça-feira (27), a cessão da participação da empresa em 34 campos de produção terrestres de petróleo, localizados na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. A medida faz parte do programa de desinvestimentos da estatal. O fechamento da transação de US$ 453,1 milhões, com a empresa brasileira 3R Petroleum, está previsto para o dia 7 de dezembro.

Segundo a Petrobras, as 34 concessões são de campos maduros em produção há mais de 40 anos, localizados a cerca de 40 km ao sul de Mossoró, na região Oeste potiguar. Os campos foram reunidos em um único pacote denominado Polo Riacho da Forquilha, cuja produção atual é de cerca de 6 mil barris de petróleo por dia.

Em praticamente todos os 34 campos, a Petrobras conta atualmente com 100% da concessão pública. E exceção são para quatro. Nos de Cardeal e Colibri, a estatal tem participação de 50% e a outra metarde é da empresa Partex, que os opera. Já nos campos Sabiá da Mata e Sabiá Bico-de-Osso a Petrobras tem 70% de participação e a Sonangol é parceira e operadora com 30% de participação.

A medida é criticada pelo Sindicato de Petroleiros no estado, que considera que a venda das concessões pode representar a aceleração da extinção da indústria petrolífera no estado.

A transação

O valor da transação é de US$ 453,1 milhões, sendo que 7,5% desse valor (US$ 34 milhões) deverá ser pago na assinatura, prevista para o dia 7 de dezembro.

A 3R Petroleum passará a operar os ativos a partir do fechamento da transação, que está sujeita à assinatura dos contratos, ao cumprimento das condições precedentes previstas no contrato de compra e venda, tais como a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e eventual direito de preferência.

Segundo a Petrobras, o projeto foi fruto de processo competitivo e faz parte do Programa de Parcerias e Desinvestimentos da Petrobras, alinhado ao Plano de Negócios e Gestão 2018-2022, que prevê a contínua gestão de portfólio, com foco em investimentos em águas profundas no Brasil.

Compradora

A 3R Petroleum é uma empresa brasileira de óleo e gás com atuação focada na América Latina. Essa será a primeira operação da empresa que, segundo comunicado da Petrobras, preenche os requisitos necessários para ser uma Operadora C no Brasil, de acordo aos critérios da ANP.

A empresa tem executivos com experiência em operação de campos maduros e aumento de produção e reservas em países como Venezuela, Argentina, Brasil, Peru, Equador e Bolívia. Conta também, em sua estruturação financeira, com a parceria de empresas globais.

Petroleiros contrariados

O diretor do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), Pedro Lúcio, conidera que a medida causa preocupação para a categoria e para o estado, uma vez que a Petrobras é responsável por boa parte do Produto Interno Bruto da indústria potiguar. "Já chegou a ser 51%", pontuou. Ele considerou que 50 funcionários da Petrobras, além de 300 outros trabalhadores serão afetados diretamente.

"Ao todo, mais de 7 mil pessoas serão afetadas direta e indiretamente", considerou. O diretor ainda lembrou que até 2015, a empresa investia cerca de R$ 1,5 bilhão anuais no estado, mas atualmente esse valor é de cerca de 300 milhões, o que já causa um "rastro de desemprego e abandono" na região.

"A venda danosa para a Petrobras, porque são campos lucrativos, e para o povo potiguar que vai deixar de ter emprego e renda", considerou.

Ele ainda considerou que a empresa compradora, que, até então, não tem nenhuma operação no país, passará, a partir da compra, a ser a segunda maior petrolífera no estado. De acordo com Pedro Lúcio, casos como esse, em que novas empresas assumiram operações em campos maduros "levaram a extinção precoce de campos de exploração de petróleo bastante proeminentes na Bahia, em Alagoas e Sergipe e no Espirito Santos. É a antecipação da extinção da indústria petrolífera no estado", declarou.