Julgamento dos Canibais de Garanhuns adiado para dezembro - Joabson Silva

NOVAS

23/11/2018

Julgamento dos Canibais de Garanhuns adiado para dezembro


Um dos julgamentos mais importantes e esperados em Pernambuco, o que vai levar ao banco dos réus o trio de Jorge Beltrão Negromonte, de 57 anos, Isabel Cristina Torreão Pires, de 57, e Bruna Cristina Oliveira, de 28, conhecidos como os Canibais de Garanhuns, foi adiado. O júri, marcado para esta sexta-feira (23) no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e cercado de grande expectativa pela enorme repercussão dos crimes pelos quais os três são acusados, não pôde acontecer pela ausência do advogado de Jorge, Geovanni Martinovick, e pela recusa do defensores de Isabel, Madson Aquino, e do de Bruna, Rômulo Lyra, em prosseguir com a sessão .

Na justificativa apresentada à corte, Geovanni alegou estar doente e impossibilitado de comparecer ao fórum. Por conta disso, os advogados das duas outras rés solicitaram o adiamento do júri. Diante da recusa do juiz do caso, Ernesto Bezerra Cavalcanti, eles se retiraram da sala. Sem opção, o magistrado determinou a remarcação do julgamento para o dia 14 de dezembro.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), representado pelo promotor André Rabêlo, classificou a medida dos advogados das rés como uma “atitude impensada”. Ele afirmou que, nos 30 anos de atuação em júris, nunca tinha visto situação semelhante. “Eles já receberam seus honorários, exerceram a plenitude da defesa e defesa e hoje, inexplicavelmente, se levantam e vão embora. Isso demonstra um total despreparo para o exercício da profissão”, avaliou. O promotor também adiantou que o MPPE vai tomar as medidas cabíveis para apurar a conduta dos defensores e cobrou que o TJPE e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fizessem o mesmo.

Esta seria a segunda vez que o trio, preso desde que os crimes vieram à tona, em 2012, enfrentaria um júri popular. Em 2014, Jorge, Isabel e Bruna — que mantinham um triângulo amoroso à época — foram condenados pela morte de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17 anos, assassinada em Olinda, em 2008. A morte só foi descoberta e desvendada quatro anos depois, quando partes do corpo da adolescente foram encontrados em buracos nas paredes da casa em que os réus moravam.

Crimes em Garanhuns

O júri que aconteceria nesta sexta se refere aos assassinatos de Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão, 21, mortas em 2012 a golpes de facão e esquartejadas na cidade de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. A carne das vítimas foi consumida pelo trio, informação confirmada pelos depoimentos dos acusados, e partes dos corpos foram encontradas armazenadas em um freezer na casa em que Jorge, Isabel e Bruna moravam.

Além da constatação de canibalismo, o que fez o crime ganhar nuances de ficção e repercutir pelo mundo, rumores nunca confirmados pela polícia davam conta de que os acusados vendiam coxinhas e empadas recheadas com carne humana nas ruas da cidade, transformando o crime num intrincado enredo de terror que envolvia, além do relacionamento amoroso dos envolvidos, um livro escrito e ilustrado por Jorge. A obra, batizada de Revelações de um esquizofrênico, é composta por contos, relatos e impressões do autor sobre o mundo. Na introdução, o autor, falando sobre si, escreve: “Sou como o mar, às vezes calmo, às vezes bravo”. E encerra a apresentação em tom poético: “Sou o ponto neutro da questão, ilusão, continuação, feito ordeiro na situação”.

Embora os crimes tenham sido cometidos no Agreste, o júri foi transferido, por ordem do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), para o Fórum Rodolfo Aureliano, no Recife. A medida foi decidida por conta da grande repercussão da história em Garanhuns, onde o caso gerou revolta, o que poderia interferir na tomada de decisão por parte dos jurados.