Ligações de robôs tiram sossego dos consumidores e são difíceis de combater - Joabson Silva

NOVAS

04/12/2018

Ligações de robôs tiram sossego dos consumidores e são difíceis de combater


João, Pedro, Maria, Roberto, Cristina e Raul têm idades e profissões diferentes, mas um mesmo e diário aborrecimento: celulares que tocam diversas vezes por dia sem ninguém do outro lado da linha.

Manhã, tarde e até depois das 20 horas as chamadas não param. Nem nos feriados e fins de semana os consumidores ficam livres das chamadas vazias que só de vez em quando têm alguém oferecendo algum produto ou serviço.

“Isso é tão sério que muitas vezes deixei de atender a chamada de um filho por achar que é mais uma daquelas ligações sem ninguém”, diz a vendedora Maria, moradora da zona Norte de Natal.

O diretor geral do Procon do Rio Grande do Norte, Jandir Olinto, explica que não existe uma legislação federal específica que ampare o consumidor nesses casos.

“Quando há cobranças constrangedoras, orientamos que o consumidor identifique a origem da chamada e ingresse com uma ação por danos morais num juizado especial. Mas nesse caso de robôs fazendo as ligações, realmente, não há muito a se fazer”, reconhece.

Para Olinto, trata-se apenas de mais um desses incômodos da vida moderna, em que as tecnologias caminham num ritmo superior às leis.

O sistema que torna um inferno a vida de tanta gente funciona da seguinte maneira, como explicam os especialistas: um disparador automático reúne uma grande quantidade de números telefônicos e realiza as chamadas. Quando o primeiro consumidor atende, o sistema é desarmado. Daí a razão de nunca ter ninguém na outra ponta linha.

Roberto estava numa reunião importante em Brasília quando foi obrigado a tirar o som do celular depois da décima chamada recebida em pouco mais de uma hora. Depois de reclamar seguidamente para a operadora, de repente, as ligações desapareceram. Ainda hoje ele diz que recebe de vez em quando.

O caminho para se livrar ou pelo menos minimizar o problema ainda são os Procons ou o Ministério Público. O Código de Defesa do Consumidor é vago, mas no artigo 39, inciso V, há uma cláusula que proíbe o fornecedor de desfrutar desse tipo de vantagem.

Seja como for, lembra Jandir Olinto, é sempre importante anotar a origem da chamada no identificador do aparelho e reclamar, começando pela própria operadora e depois os órgãos competentes.