Servidores vivem drama por falta de pagamento no Rio Grande do Norte - Joabson Silva

NOVAS

04/12/2018

Servidores vivem drama por falta de pagamento no Rio Grande do Norte


Sem dinheiro em caixa para pagar os salários do 13º salário de 2018 e a folha do mês de dezembro, o governo do Rio Grande do Norte impõe uma rotina de restrições aos servidores ativos e aposentados da rede pública estadual. Os atrasos nos vencimentos, que ocorrem há dois anos, afetam diariamente o dia a dia de 94 mil pessoas com contracheques vinculados ao Estado.

Após os atrasos se tornarem constantes, a aposentada Fátima Costa, 65 anos, cortou cartões de crédito, evita compras parceladas e só adquire no mercado produtos essenciais. “Nunca vi isso em toda a minha vida. É uma situação deprimente para todos os servidores públicos do Rio Grande do Norte”, diz ela.

Ela trabalhou por 40 anos na Secretaria Estadual de Educação. “Fui professora por mais de 25 anos na Escola Estadual Floriano Cavalcanti, na zona Sul de Natal, e no meu contracheque era retirado, religiosamente, a contribuição para a aposentadoria. Só que o governo não está cumprindo com a obrigações, e eu sou obrigada a equilibrar meus gastos para sobreviver”, relata.

De acordo com dados do Fórum de Servidores do Estado, entidade que congrega diversos sindicatos do funcionalismo estadual, o atraso do pagamento de salário de dezembro e do 13º salário vai retirar R$ 1 bilhão de circulação da economia do Rio Grande do Norte.

A rede estadual é formada por 52 mil funcionários ativos e outros 42 mil pensionistas. A área com o maior número de servidores é a educação, com 21.167 funcionários. Em segundo lugar, está a saúde, com 12.540 profissionais. O terceiro posto fica com a Polícia Militar, que contabiliza 7.590 pessoas.

A enfermeira Benádia Medeiros Nunes, de 51 anos, está mergulhada em dívidas. Sem previsão para receber o salário de dezembro e o 13º de 2018, ela ainda não sabe o que vai fazer para pagar as contas para o início de 2019. “Sorte que tenho outro emprego. Eu estaria pior se não tivesse outra fonte de renda. E agora que eu esperava receber, pelo menos, o 13º de 2017 para tentar respirar um pouco, acho que também não vai ser pago. É difícil, principalmente para quem só tem essa fonte de renda”, informa ela.

Segundo o governo do Estado, que ainda não publicou o calendário para as últimas folhas salariais de 2018, a previsão é de que o mês de dezembro seja pago até o quinto dia útil de janeiro de 2019. Com relação ao 13º, a Secretaria Estadual de Planejamento (Seplan) ainda não tem prazo para quitá-lo. “O governo está agindo em várias frentes a fim de buscar os recursos. O secretário Gustavo Nogueira [Planejamento] está completamente absorvido com o complexo fechamento de todas as questões financeiras do atual governo, e em paralelo com a disponibilização de todas as informações para equipe de transição da nova gestão, numa agenda diária intensa”, informou, através de nota, a assessoria de imprensa do governo do Estado.