Deputada diz que ação do Solidariedade por atraso de salários foi “precipitada” - Joabson Silva

NOVAS

06/02/2019

Deputada diz que ação do Solidariedade por atraso de salários foi “precipitada”


A deputada estadual Isolda Dantas (PT) criticou a ação protocolada pelo partido Solidariedade na Justiça para que o Governo do Rio Grande do Norte utilizasse supostos recursos em caixa para pagar salários de servidores que estão em atraso. De acordo com a parlamentar, o processo movido pelo Solidariedade foi uma ação “precipitada”, já que as acusações, segundo ela, não são verdadeiras.

“Não foi checada a informação. O Governo desmentiu, mostrando o fluxo [de receitas e despesas] e documentos. Houve uma demonstração cabal de que as acusações eram indevidas, não correspondiam à verdade. Eu acho que foi uma ação precipitada. Se judicializou algo que não era verdade e isso pode confundir a opinião da sociedade”, afirmou nesta quarta-feira, 6, em entrevista ao programa Manhã Agora, da Agora FM (97,9).

Representados pelo advogado Fábio Dantas, ex-vice-governador na gestão de Robinson Faria (2015-2018), os deputados Allyson Bezerra, Cristiane Dantas e Kelps Lima – que formam a bancada do Solidariedade na Assembleia Legislativa – acusaram na Justiça a gestão da governadora Fátima Bezerra de guardar em caixa cerca de R$ 400 milhões, enquanto as folhas salariais de novembro e dezembro do ano passado e o 13° salário de 2017 e 2018 estão em aberto parcial ou totalmente. Eles pedem que a Justiça determine o bloqueio desse valor para pagamento dos salários atrasados.

Nesta terça-feira, 5, o Governo do Estado negou que tenha R$ 400 milhões em caixa. Em um demonstrativo apresentado pelo secretário Aldemir Freire (Planejamento e Finanças), a gestão estadual revelou ter apenas R$ 69,5 milhões, dos quais R$ 59 milhões estariam comprometidos com despesas já empenhadas. A administração Fátima Bezerra anunciou ontem as datas para pagamento da folha de fevereiro e segue sem estabelecer quando irá quitar as folhas herdadas do governo Robinson.

Isolda Dantas criticou Fábio Dantas e os deputados do Solidariedade que se reelegeram (Cristiane e Kelps) por não terem agido de forma semelhante quando o governo anterior atrasou salários. “Por que ele não impetrou com a ação quando era vice? Por que os deputados não fizeram isso no primeiro mês em que Robinson atrasou salários? Esperou chegar o governo Fátima para entrar na Justiça?! Por isso que eu falo que é precipitado”, assinalou.

A deputada também condenou o que classificou como “judicialização da política”. “Somos parlamentares. Sou contra a judicialização da política. Se é da política, temos de resolver na política. O Judiciário tem outra função, deve cumprir outro papel, não intervir na política. Estamos vivendo um mundo em que a política está sendo judicializada e a Justiça, sendo politizada. Está tendo uma inversão de papéis e isso é muito ruim para a democracia”, frisou.

ATUAÇÃO NA ASSEMBLEIA

Ainda na entrevista à Agora FM, a deputada recém-empossada revelou que a bancada do PT – formada por ela e o deputado Francisco Medeiros – irá se unir ao deputado Souza Neto (PHS) na formação de um bloco de atuação parlamentar. Eleitos pela mesma coligação, os parlamentares devem atuar em conjunto na Assembleia. “Eu serei a líder desse bloco”, antecipou.

Sobre as bandeiras que deve defender no parlamento estadual, Isolda Dantas disse que terá especial atenção às causas do movimento feminista, mas que também apresentará projetos e ações em agendas relacionadas ao meio rural, agricultura familiar, acesso às cidades e juventude, além do movimento LGBT.

“Sou feminista. Olho o mundo a partir de uma lente lilás. Então, a bandeira do feminismo será inerente a tudo que iremos fazer. Mas não vamos falar só de feminismo. Sou deputada do Rio Grande do Norte e meu papel será intervir na pauta do Estado com muita qualidade. Não tenho pressa para apresentar projeto, até porque, para ter efeito e não virar letra morta, o projeto precisa ser uma demanda da sociedade”, declarou – citando que pretende atuar no debate sobre, por exemplo, as demandas da indústria salineira, o acesso à cultura, violência contra as mulheres, compras pelo governo de produtos da agricultura familiar.

Dos 24 deputados que compõem a Assembleia, apenas 3 são mulheres – Isolda, Cristiane e Eudiane Macedo (PTC). “A Assembleia é um estrato do que é a sociedade, extremamente baseada em valores masculinos. Tudo é pensado a partir dos homens, da vida e dos valores masculinos, de superioridade sobre nós, mulheres. Vivemos em uma sociedade desigual entre homens e mulheres. Então, o parlamento é isso. Meu desejo é sensibilizar os colegas para pautas que contribuam com a redução da violência e a igualdade salarial, por exemplo. Eu imagino que os deputados estão dispostos a serem sensibilizados”, encerrou.

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