Mais de 160 militares venezuelanos desertaram para Brasil e Colômbia - Joabson Silva

NOVAS

25/02/2019

Mais de 160 militares venezuelanos desertaram para Brasil e Colômbia


Pelo menos 162 militares venezuelanos abandonaram seus cargos e fugiram para o Brasil e para a Colômbia desde sábado, quando agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) fizeram cordões de isolamento na fronteira da Venezuela com os dois países, impedindo a entrada de ajuda humanitária, e reprimiram, em alguns casos com violência, manifestações de apoio ao líder opositor Juan Guaidó.

Destes casos, 156 foram registrados nas passagens que ligam regiões venezuelanas aos Estados colombianos de Norte Santander e Arauca, que receberam 146 e 10 desertores, respectivamente. Em Pacaraima, no Brasil, buscaram proteção 6 sargentos das Forças Armadas do país vizinho.

Os casos mais recentes foram registrados nesta segunda-feira, 25, quando três sargentos da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) desertaram e fugiram da Venezuela para o Brasil. Eles vieram por trilhas na vegetação rasteira, conhecida na região como “lavrado”, e foram encontrados por uma patrulha do Exército que fazia inspeções de rotina na fronteira. Um deles apresentava sinais de desidratação, com enrijecimento muscular.

Com isso, chega a seis o número de desertores na fronteira brasileira desde que a oposição tentou entrar com ajuda humanitária na Venezuela, todos com a patente de sargento. No domingo, três membros da GNB também entraram no país depois de deixarem seus cargos descontentes com a gestão da crise por Caracas e com a situação geral do país.

“Nos quartéis militares, não há comida. Não tem colchões. Nós, sargentos da Guarda Nacional (Bolivariana, GNB), estamos dormindo no chão”, contou o sargento Carlos Eduardo Zapata, um dos três primeiros a chegar ao Brasil.

Oficialmente, a fronteira venezuelana com o Brasil continua fechada desde quinta-feira por decreto do presidente Nicolás Maduro. A passagem com a Colômbia foi totalmente bloqueada na noite de sexta-feira, após a realização do Venezuela Live Aid em Cúcuta, cujo objetivo é arrecadar US$ 100 milhões em 60 dias para fornecer ajuda aos venezuelanos.

No fim de semana, a divisa entre os países, tradicionalmente tranquila, viveu horas estressantes depois de manifestantes venezuelanos tanto em território brasileiro quanto colombiano jogarem pedras e coquetéis molotov contra integrantes da GNB.

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu pela manhã em Brasília com seu ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e membros do alto-comando militar. Essa reunião acontece paralelamente ao Grupo Lima em Bogotá, do qual participam os Estados Unidos e o líder da oposição Juan Guaidó, para definir os passos a serem seguidos na crise venezuelana.

Turistas liberados

Segundo fontes do Exército, 25 turistas brasileiros que faziam turismo no Monte Roraima e não conseguiam passagem pela fronteira desde que ela foi fechada no dia 21 retornaram ao território brasileiro nesta segunda.

Eles passaram pela aduana com os veículos que faziam o trajeto vindo do monte e agora estão a caminho da capital de Roraima, Boa Vista. Ainda de acordo, com essas fontes, a tendência é de menos tensão na fronteira, com pelo menos a passagem de estrangeiros sendo liberada.

Um cidadão uruguaio com problemas de saúde também teve a passagem autorizada pelas autoridades venezuelanas.

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